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SILVA, Luís Octávio. Os quintais e a geografia da morada brasileira. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 9 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 1
Índice h: 1  
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Resumo

Este trabalho propõe uma análise da forma urbana como dimensão explicativa e interpretativa do fenômeno urbano. Sem a pretensão de que só a dimensão espacial possa constituir a chave para a compreensão de um fenômeno de diversas dimensões e de elevado grau de complexidade, como é o caso da cidade, não se deve, por outro lado, negar que a organização espacial constitui uma variável incontornável para a interpretação e articulação das diferentes facetas do fenômeno urbano. O objetivo deste trabalho é fazer uma contribuição à história da forma das cidades brasileiras a partir da análise e da interpretação de um elemento frequentemente esquecido dos estudos sobre a paisagem urbana. Esquecido porque a maior parte dos estudos dos habitat não construído propõe um olhar sobre e a partir dos espaços públicos, como é o caso das análises sobre as praças, ruas e fachadas. Ora o quintal é justamente aquele espaço velado, não acessível ao olhar público, e que, no entanto, constitui uma parcela considerável dos espaços urbanos residenciais. O argumento central é de que a existência dos quintais constitui uma característica singular das cidades brasileiras, significativamente diferentes dos pátios internos e dos fundos de lote existentes em outras cidades ocidentais. Partindo de uma perspectiva histórico-comparativa, procederemos uma análise no âmbito da sua evolução morfológica chegando a identificar vertígios dos quintais inclusive na organização espacial dos apartamentos contemporâneos. Veremos que o estudo desses espaços constitui um elemento que ajuda a compreender as cidades brasileiras, não apenas em seus aspectos utilitário-funcionais como também no tocante a facetas mais sutis e subjetivas. A falta de informação sistematizada sobre o assunto nos obrigou a lançar mão de citações fragmentárias provenientes da história urbana, da história da técnica, da história da arquitetura doméstica, assim como do estudo da vida privada, das relações entre patrões e empregados, de material iconográfico e dos relatos de viagem.
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