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NATAL, Caion Meneguello. Ouro Preto oitocentista : por um novo desenho urbano. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 2 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 1
Índice h: 1  
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Resumo

Nosso estudo aborda Ouro Preto em fins do século XIX, quando essa cidade deveria passar por algumas reformas em seu tecido urbano, as quais objetivariam sua modernização e, por conseguinte, sua preservação enquanto capital de Minas Gerais. Nesse período, o Brasil passava por uma transformação política que repercutia nas esferas culturais e materiais de sua sociedade: a supressão da monarquia e o advento da república. O emergente regime republicano fundamentava-se em novos valores e códigos socio-culturais; surgem daí novas maneiras de ver e conceber o ambiente citadino. A questão da modernização ouropretana se insere diretamente nesse contexto de mudança política. Qual seria o sentido dessa modernização? Em que implicaria ser moderno, ou melhor, tornar-se moderno? Ouro Preto corria enormes riscos enquanto centro político-administrativo, pois era uma cidade considerada arcaica, cuja disposição predial e viária incondizia com os modelos urbanos da modernidade e com os princípios do discurso republicano. Para promover a modernidade mineira seria preciso construir uma nova capital, a qual refletisse em seu meio físico as imagens, os valores e anseios, da República brasileira. A questão da modernização ouropretana dizia respeito à construção de uma imagem híbrida que ligasse passado e futuro. Modernizar Ouro Preto significaria preservá-la e valorizá-la na medida em que tal cidade trazia consigo uma história muito rica, um honroso passado de glórias e heróis. Nosso estudo enquadra-se nessa relação entre passado, compreendido como preservação de um dado espaço, e futuro, compreendido como promoção de uma nova imagem, de um novo desenho de cidade e de relações sociais. Modernizar Ouro Preto seria, sobretudo, preservar sua dignidade, mantê-la como símbolo maior da história mineira; seria a construção do novo desenho urbano em prol da manutenção de seu passado, de sua memória e consequentemente de sua supremacia política. Em Ouro Preto, a despeito da aparente contradição, a busca de uma identidade moderna não era senão a reafirmação de uma identidade histórica pautada em um passado entendido como "grandioso".
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