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COSTA, Francisco. A ordenação dos fluxos indesejáveis : o papel da gestão residual na organização sócio-espacial da cidade contemporânea - Paris (1855), Barcelona (1891-1902) e Salvador (1926). A ordenação dos fluxos indesejáveis : o papel da gestão residual na organização sócio-espacial da cidade contemporânea - Paris (1855), Barcelona (1891-1902) e Salvador (1926). In Salvador,2002. 1 arq. htm
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 2 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 7
Índice h: 1  
Co-autores: 11

Resumo

O objetivo principal deste trabalho é realizar uma aproximação histórica - num período de transição entre o paradígma miasmático e o bacteriológico - sobre o papel da gestão residual no processo de modernização da cidade contemporânea. Arranca de um dos pontos mais polêmicos dos projetos de saneamento, tendo em vista o vigor do paradígma miasmático na medicina da época: a adoção de um modelo, o tout-à-l'égout, que promove a evacuação da totalidade dos resíduos sanitários domésticos diretamente aos esgotos. Isto supõe uma organização subterrânea estreitamente vinculada com os interesses da organização sócio-espacial da cidade. Esta relação é perfeitamente perceptível na comparação das diferentes propostas de modernização de París, Barcelona e Salvador . No caso de Paris (1855), tendo em conta que se realiza no âmbito de sua reforma urbana, se reproduz ao nível subterrâneo da cidade a mesma configuração hierárquica do traçado viário supraterrâneo que, por sua vez, atende a uma determinada organização socio-topográfica da cidade. Mas será somente no final do século quando o modelo do tout-à-l'égout será posto em funcionamento. Em Barcelona, o projeto original (1891) propõe um modelo onde não se detecta este respeito pela hierarquia viária da superfície nem pela sua ordem sócio-topográfica. Supõe, portanto, um motivo de conflito suficientemente importante como para que seja substituido, em 1902, por um outro projeto muito mais respeituoso com a lógica de segregação da cidade. Ainda assim, a reação social confirmará certa desconfiança respeito ao estabelecimento de uma rede cujo modelo se considera promíscuo. No caso de Salvador, o traçado da rede de esgotos está configurado por umas características topográficas muito mais determinantes do que nos exemplos anteriores. Isto supõe que o projeto, ao nível subterrâneo, seja não somente conseqüente mas principalmente determinante nas características da urbanização supraterrânea. Portanto, a nova ordem urbana, que se estabelece ao nível físico e social da modernização, está particularmente retratada na forma como a cidade estrutura e organiza os fluxos de suas matérias indesejáveis.
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