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MATOS, Madalena Cunha. Construção em altura na habitação social portuguesa: o imprevisto da sustentabilidade. In: NUTAU: SUSTENTABILIDADE, ARQUITETURA, DESENHO URBANO, 4., 2002, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2002. p. 1389-1398.
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Resumo

A impossibilidade de construir acima dos 2 pisos foi consignada sob forma de lei em 1933 para a habitação social edificada em Portugal. As ‘habitações económicas’ erigidas para a classes média e operária a partir dessa data deviam agrupar-se em conjuntos de 50 a 100 fogos, devendo cada um ser dotado de jardim e quintal. As moradias isoladas ou geminadas que daí resultaram foram atacadas pelo seu desperdício de espaço urbano e pela recusa que significavam em corresponder às orientações do III CIAM - Bruxelas. A sustentabilidade urbana estava posta em causa pela proliferação de ‘bairros de casas económicas’, de reduzida densidade e de desenho, para mais, arcaizante. A ideologia anti-urbana inculcada nestes conjuntos segregados e de sugestivos planos de ‘asas de borboleta’ foi rejeitada pelos arquitectos progressistas e que se opunham ao regime salazarista. Apenas em 1945 uma nova legislação abriu a porta a edifícios que poderiam ter r/c e 3 pisos no máximo; mas tão-só para um segmento da produção habitacional, as casas ditas de ‘renda económica’. Um terceiro passo para a divulgação da construção em altura foi o tardio decreto que em 1955 possibilitou a propriedade horizontal. Os grandes empreendimentos dos Olivais em Lisboa já acolheram blocos, torres e toda a gama tipológica do Movimento Moderno. Os arquitectos sentiram essas aberturas como vitórias políticas. Muitos grandes conjuntos que não beneficiaram dos aturados arranjos exteriores e dos cuidados sociais na mistura de classes no seu interior que marcaram essas primeiras experiências, gozam hoje de má reputação: abandono, sujidade, degradação. Em contrapartida, os vilipendiados bairros de moradias diminutas do Estado Novo vivem uma fase de ‘gentrification’. O estigma social colado aos residentes tende a esfumar-se. Ao maior gasto em área da cidade correspondeu um menor custo em manutenção e em riscos sociais. A comunicação foca esta sustentabilidade retrospectiva sobre um exemplo português da década de 40.

Abstract

To build more than 2 floors in social housing in Portugal was made impossible by a law promulgated in 1933. The ‘economic dwellings’ which were built after that year for workers and the middle classes were to be united in the sites in groups of 50 to 100 units, each one of them with a garden and a backyard. The designs of small stand-alone villas and semi-detached houses which ensued were attacked for their waste of urban soil and for the refusal they meant as to the guidelines issued by the III CIAM in Brussels. Urban sustainability was jeopardised by the proliferation of low-density ‘quarters of economic houses’, which were designed in retrograde architectural styles. The progressive architects and opponents to the Salazar regimen rejected the instilled antiurban ideology in these segregated urban districts designed in suggestive plans of ‘butterfly wings’. But in 1945 a new legislation opened the door to buildings that could have a ground floor and 3 floors in the maximum; but only for a segment of the housing production, the houses known as of 'economic rent'. A third step for the diffusion of the high-rise building was the decree that in 1955 made possible horizontal property. The great enterprises of the Olivais in Lisbon finally had blocks, towers and all the typological range of the Modern Movement. The architects felt these apertures as political victories. Many great building complexes that didn’t benefit from the laborious exterior landscaping and from the concern in the mixture of social classes in its midst that marked these first experiences, are plagued today from bad reputation: abandonment, dirtiness, degradation. On the other hand, the slandered quarters of minute villas built during the New State regime live a phase of 'gentrification'. The social stigma glued to the residents tends to dissolve away. These residential areas used a bigger expense in area of the city but also needed a lesser cost in maintenance and social risks. The paper considers this retrospective sustainability by analysing a Portuguese example of the 40’s.
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