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I Seminário da Linha de Pesquisa Processos Urbanos Contemporâneos, Caderno Resumos. Anais... Salvador, 2003. p09-11.
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Resumo

Atestada a derrocada das políticas e ações de planejamento urbano pautadas no padrão tecnocrático - centralizado - autoritário característico do alto modernismo, uma nova forma de atuar sobre a cidade ganha destaque, a partir de uma conceituação que tem como base a gestão urbana empresarial. Esta, coloca em evidência - a partir de uma suposta valorização do lugar - parâmetros a serem seguidos para a transformação do espaço: competitividade e produtividade. A condição de espaço de competitividade destinada aos lugares, funciona como forma de inseri-los nas práticas globais, estruturadas a partir do modelo político neoliberal, institucionalizado através das instâncias governamentais. Estas, munidas de um discurso "revelador", invocam e incutem na população a sensação de supostas crises urbanas, para depois transformarem - através de ações no espaço urbano - este "fugaz sentimento de crise", numa busca pelo aumento da "auto-estima", ou seja, utiliza-se do marketing urbano para a preparação das cidades - sucesso. Atualmente o Estado do Ceará é tomado como paradigma de tais atribuições. Com o advento da Era Jereissati, a partir de meados da década de 1980, parte-se de uma situação de crise - ocasionada por décadas de desmandos da política dos coronéis - e constata-se a necessidade de um redirecionamento político, só possível a partir da consolidação do "Governo das Mudanças". Seguindo as novas premissas, os lugares devem ser transformados em "atrativos", garantindo a sua condição de produtividade - desenvolvimento econômico - e de competitividade. Estes são os elementos que irão direcionar os programas de ação implementados pelas parcerias entre os poderes públicos, agentes multilaterais e a inciativa privada. No caso em questão, será evidenciada a tentativa de inserção do espaço sertanejo cearense no âmbito da gestão urbana empresarial, onde, levando-se em consideração a valorização do lugar, toma-se a História e a Cultura como mote. O Sertanejo, suas práticas e sua forma de vida, o espaço de morar, serão "valorizados", porém, a partir de uma condição imagética, de representação idealizada. A área-problema da seca recebe uma nova roupagem e pode também viabilizar uma imagem de sucesso. A fórmula, apresentada através tanto do Planejamento Estratégico das cidades - via PROURB - como da política de Municipalização do Turismo - via SETUR - é referenciada pelos discurso e práticas preservacionistas desenvolvidos pelo órgão detentor deste saber especializado, o IPHAN. Também nesta instância o sertão passa a ser valorizado a partir do tombamento de cidades como Icó, Aracati e Sobral, a partir da segunda metade da década de 1990. Tais ações foram fatores determinantes para a "onda" de expansão preservacionista do Estado, onde toma-se como parâmetro para tal afirmação o número de solicitações enviadas ao IPHAN, partindo das administrações locais, contendo propostas de valorização do patrimônio histórico e arquitetônico destas cidades. Esta fórmula apresentada, no entanto, entende o lugar-sertão a partir de uma imagem idealizada, baseada na "eterna imagem do passado", sem conflitos, tensões ... um espaço consensual.A proposta desta comunicação está centrada numa análise das ações aplicadas nas cidades sertanejas cearenses - tendo como estudos de caso, Icó , Sobral, (cidades-patrimônio nacional),Quixeramobim e Tauá (cidades que almejam uma condição de significação cultural) - identificando-as com as práticas vinculadas à gestão urbana empresarial, que buscam a suposta valorização do lugar, entretanto, reduzem o mesmo a uma condição superficial, de imagem.
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