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BAPTISTA, Maria Elisa Maria Elisa. A construção de um espaço de fronteiras : espaço público e cidadania. A construção de um espaço de fronteiras : espaço público e cidadania. In Belo Horizonte,2003. p. 97-110, il
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Resumo

Se o surgimento e a manutenção de classes diferenciadas foi condição indispensável para o surgimento das cidades, ao criar condições para a administração e execução das obras necessárias, essa modificação nas relações sociais e econômicas imprimiu, desde as primeiras civilizações, suas marcas no espaço urbano. Espaços de intermediação das relações sociais, de resolução das questões coletivas ou juízo entre pendências individuais, lugares onde os ritos se expressavam, os espaços públicos refletiram, ao longo da história das cidades, as formas de exclusão praticadas em cada sociedade. Na agora grega, onde a política e a cidadania encontraram sua raiz comum, a mulher, o escravo e o estrangeiro estavam alijados dos direitos e deveres do cidadão; o fórum das cidades romanas era uma arena política impressa sobre os valores locais, deles fazendo tabula rasa para melhor conquistar e submeter os povos ao império; a praça de mercado, promessa de liberdade das cidades medievais, traduzia a natureza fragmentada da esfera pública na ocupação fragmentada de seus espaços; a centralidade da praça renascentista era uma face da moeda de sua hierarquia, o oco do mercado substituído pela estátua do soberano; a grande cena barroca por sua vez, de muda multidão em movimento, subtraía do espaço a vida pública. Ao introduzir a indústria no centro urbano, a Revolução Industrial agregou ao espaço novos elementos e gerou escalas nunca vistas, causando, pela primeira vez, impacto considerável na forma das cidades e no modo de vida das populações, como bem expressa Lewis Mumford: "os principais elementos do novo complexo urbano foram a fábrica, a estrada de ferro e o cortiço". A cidade capitalista do século XIX, ao inscrever seus espaços abertos ao capital sobre os lugares da vida popular, passou a mapear de forma indelével a segregação resultante de seu processo econômico de organização do território.
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