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SANTOS, Ana Lucia Vieira dos; DUARTE, Cristiane Rose. Usos, percepção e transformações do espaço urbano por populações de rua : um estudo de caso no Rio de Janeiro. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL PSICOLOGIA E PROJETO DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 2000, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: UFRN, 2000.
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Citações: 5
Índice h: 1  
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Resumo

Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa iniciada em 1996 com base na observação da "população de rua" da cidade do Rio de Janeiro, tendo por objetivo a análise de seu relacionamento com o espaço público urbano. Foram identificados padrões de ocupação do espaço, de demarcação do território e das relações estabelecidas entre esta população e os elementos que compõem o entorno imediato. Procurou-se identificar as maneiras pelas quais o morador de rua se serve de elementos construídos da paisagem para delimitar seu território. Ainda, buscou-se analisar a divisão do espaço apropriado em áreas especializadas, quando "quartos", "cozinhas" e "salas" passam a ser sugeridos, seja pelo uso de barreiras físicas como caixas de papelão e mesmo móveis, seja pelo aproveitamento do próprio mobiliário urbano ou ainda pela simples varredura do piso. A pesquisa nos permitiu compreender que, destituídos do suporte espacial da casa, os moradores de rua desenvolvem um certo número de mecanismos de ajuste e compensação, suprindo suas necessidades básicas de territorialização, espacialização das estruturas familiares e de proteção. Verificou-se que o ambiente urbano adquire valor simbólico que persiste ao longo da ocupação pelos sem-teto, sendo, até certo ponto, legitimado pela população em geral.

Abstract

This paper presents the results of a research started in 1996, based on the observation of the "street population" of the city of Rio de Janeiro, with the aim of analyzing their relationship with the urban public space. We identified patterns of spatial occupation, of territorial demarcation and the relationships established between this population and the elements that compose their immediate environment. We tried to identify the ways in which the street dwellers use elements of the built environment to delimitate their territories. Moreover, we analyzed the division of the appropriated space in specialized areas, when "rooms", "kitchens" and "living-rooms" are suggested, by the use of physical barriers as paper boxes and even furniture, by the use of urban equipment or even by the simple sweeping of the floor. The research allowed us to understand that, once deprived of the spatial support of the house, the street dwellers develop certain mechanisms of adjustment and compensation , in order to supply their basic needs of territorialization, spatialization of family structures and protection. We verified that the urban environment acquires symbolic value that persists meanwhile the occupation by the homeless, being, to a certain extent, legitimated by the rest of the population.
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