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GUNN, Philip; WILDERODE, Daniel Van Daniel Van. Os sentidos múltiplos de urbanização e forma urbana uma "época de globalização". Os sentidos múltiplos de urbanização e forma urbana uma "época de globalização". In São Paulo,2004. p. 115-137, il
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Resumo

Neste texto questiona-se uma dimensão retórica e ideológica da literatura sobre "globalização" - uma vertente que projeta uma representação das cidades "globais" para legitimar debates sobre a inclusão/exclusão de determinadas cidades numa suposta rede de centros mundiais "de alto nível" concorrendo entre si para atrair fluxos financeiros e investimentos e cooperando conjuntamente em redes de negócios que se espalham pelos mercados "globais". Na retórica da "globalização" encontra-se freqüentemente um enfoque neo-ricardiano enaltecendo as virtudes da concorrência na busca de vantagens locacionais para sediar investimentos. Trata-se de um estímulo para guerras fiscais e promocionais para reforçar e/ou ampliar novas funções urbanas decorrentes dos processos de mudança na economia mundial. O enfoque do ricardianismo locacional aproveita um entendimento de concorrência entre lugares para atrair capitais e sediar grandes eventos e negócios. Para sediar eventos como os Jogos Olímpicos, as corridas de Fórmula 1 ou a Copa do Mundo de futebol, a concorrência entre cidades gera não somente benefícios políticos de mobilização cívica, mas também envolve grandes investimentos nas "indústrias da imagem" nos lugares privilegiados pela retórica das "cidades" globais. Nestes termos, a idéia de concorrência reforça a noção de naturalização dos processos de globalização em curso, sugerindo um grau de inevitabilidade dos processos de mundialização nas suas formas neoliberais atuais. Dessa forma, a "globalização" converte-se em pretexto para renovação dos investimentos nas cidades, mas também em revisão acadêmica das teorias urbanas nas disciplinas que se interessam pelas alterações ocorrendo nas grandes aglomerações urbanas. Do ponto de vista crítico sobre a "globalização", estas questões são abordadas na primeira parte do trabalho. Na segunda parte do trabalho se discutem algumas evidências que seriam úteis para qualificar certos aspectos no caso do Brasil que poderiam caracterizar a "globalização" econômica em relação a outras características da economia, incluindo o padrão de investimentos internacionais diretos e o comércio exterior. Ressalta-se nesta abordagem a escala das dificuldades de gerenciamento monetário dos fluxos financeiros comparados com dados sobre investimentos diretos. No caso do comércio exterior ressalta-se a importância dos blocos de comércio subcontinentais comparada com a participação nacional no total do comércio internacional em âmbito mundial. Trata-se de uma maneira de qualificar a importância e de situar novos concepções territoriais sobre as inovações produtivas e o caráter dos novos padrões de comércio e serviços espacialmente localizados. A "globalização" das transformações da economia urbana é abordada na terceira parte do trabalho em três momentos distintos. Num primeiro momento, critica-se a primazia de um mundo de imagens numa concorrência neo-ricardiana entre lugares. Num segundo momento, discutem-se as novas relações entre as grandes cidades e os Estados nacionais, decorrentes dos novos fluxos financeiros, investimentos e o comércio transnacional. Finalmente, algumas implicações das inovações na divisão do trabalho e na economia urbana são discutidas sob o aspecto dos conceitos funcionais de localização e de centralidade. Na conclusão, o trabalho enfatiza o conceito de controle e gerenciamento das formas urbanas de inovações na divisão do trabalho como atividades construídas e não espontâneas. Em outras palavras, o novo caráter do terciário e as novas morfologias urbanas pós-Christaller dependem dos projetos nacionais e internacionais regidos por mercados mas configurados por Estados. Por isso ainda é possível contrapor no contexto de uma época de "globalização" uma discussão do liberalismo e a privatização nas cidades com outros projetos que poderiam envolver a reapropriação do espaço público.
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