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GOMES, M. A. A. F.; ACSELRAD, H. REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS URBANOS E REGIONAIS. ESTUDOS URBANOS E REGIONAIS. Belo Horizonte, 2003. 103p. Marco Aurélio A. de Filgueiras Gomes e Henri Acselrad (org.).
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 4 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 5
Índice h: 2  
Co-autores: 8

Resumo

Os artigos aqui reunidos apontam para novas práticas, questionam formas estabelecidas de pensamento, refletem sobre a própria produção da área, exploram novas relações e enriquecem a historiografia da cidade e do urbanismo no Brasil. Tomando como referência a destruição - em circunstâncias bem diferentes - de dois importantes ícones da arquitetura moderna (o conjunto PruittIgoe e o World Trade Center, ambos nos EUA), e tendo os acontecimentos do 111912001 como pano de fundo para problematizar o campo do planejamento, o texto de Clara Irazábal que abre esta edição coloca em cheque a atual capacidade do planejamento em responder aos desafios socioespaciais e traz uma série de sugestões de mudanças no campo de ação dos planejadores. A referência explícita que ele faz ao terrorismo encontra um contraponto no artigo de Alberto Mendes Cunha et alii, sobre as possibilidades que o pensamento, sempre rico e instigante, de Henri Lefebvre oferece para a leitura do mundo contemporâneo e, em particular, o seu conceito de terrorismo e de sociedade terrorista. Os autores analisam o tempo presente - e a realidade urbana em particular - como sobreposição de terrorismos, chamam a atenção para a dimensão interna do terror na reprodução da chamada sociedade burocrática de consumo dirigido e discutem as possibilidades de aplicação desses conceitos nos contextos diferenciados do centro e da periferia do capitalismo mundial. Seguindo em outra direção, o artigo de Leila Christina Dias e Gislene Aparecida dos Santos apresenta uma contribuição de particular interesse, na medida em que, ao analisarem as transformações recentes nos conceitos de região, território e meio-ambiente, oferecem também uma reflexão sobre o próprio papel da Anpur como espaço de difusão do conhecimento produzido na área. Analisando a produção veiculada nos Encontros Nacionais da Associação, elas apresentam aqui um balanço sobre a temática das escalas espaciais e identificam novas direções nas pesquisas urbanas e regionais no Brasil. Já o artigo de Alberto Najar e Sylvie Fégar analisa as relações entre cidade e mídia, divulgando aqui os resultados de uma pesquisa em farto material empírico sobre as emissões televisas francesas que, de alguma maneira, abordaram, num arco temporal de quarenta anos, o tema das favelas no Rio de Janeiro. A minuciosa análise empreendida pelos autores revela como, através das relações entre texto e imagem da cidade, vão se alterando as representações da favela carioca e, de certa forma, das cidades brasileiras - veiculadas pela televisão francesa. Finalmente, o artigo de Antonio Carlos Bonfato insere-se na linha daqueles trabalhos que nos fazem pensar sobre os complexos caminhos de constituição de uma prática urbanística no Brasil, colocando em destaque a atuação de um profissional, o engenheiro Jorge de Macedo Vieira, que - como muitos outros engenheiros de sua geração - só agora tem reconhecida sua contribuição para a história do urbanismo.
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