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MILFONT, Magna. Caminhos e pontos de paradas : o transporte fluvial e a ocupação dos arrabaldes do Recife, século XIX. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 2 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Os caminhos percorridos por pequenos barcos fluviais nos rios e mares do Recife no século XIX, estabeleciam comunicação com ancoradouros, portos, cais e "passagens". O intenso fluxo do transporte fluvial entre os rios Capibaribe, Beberibe, barras e barretas marítimas dentro e fora da cidade influenciava o crescimento do núcleo urbano do Recife nos oitocentos, período marcante da ocupação dos arrabaldes da cidade. Essa ocupação suburbana concentrava.--se ao longo dos portos, cais e "passagens" fluviais que eram estabelecidos, na maioria das vezes, sem permissão dos órgãos provinciais. Em 1840, o engenheiro Morais Âncora manifestava que cais e suas escadarias proeminentes estorvavam a navegação dos rios: "Se constroem escadas sobressaindo à face exterior do mesmo cais", alertando as autoridades para não permitir, "por alterar a direção das correntes" (Mello, 1978: 85). Na mesma época, o engenheiro francês Vauthier observava que a intensa navegação do transporte fluvial em trechos urbanos e suburbanos provocava a especulação das margens dos rios com construções desenfreadas de cais (Mello, 1978: 84). Era no século XIX que percursos importantes se estabeleceram no transporte de gente e mercadorias. Através dos caminhos fluviais e marítimos firmavam-se pontos de paradas nos rios e mares, funcionando como espaços de intensa concentração urbana, caso do porto das canoas no bairro do Recife. Esse importante porto fluvial localizava-se num ponto estratégico de comunicação com portos e "passagens" do rio Beberibe, além de ancoradouros marítimos. O modo de comunicação fluvial e marítima era estabelecido ao longo dos trechos nas "carreira" dos rios, "barra" e "barra fora" dos mares, como se distinguiam os caminhos trafegados pelos pequenos barcos no Recife. Próximo das paradas, nos portos, cais, ancoradouros e "passagens" abriam-se estradas, becos, travessas e largos que marcaram a configuração da cidade do Recife nos oitocentos. Portanto, é possível vislumbrar caminhos fluviais, marítimos e pontos de paradas que se formavam no intenso fluxo do transporte dos barcos, transformando a configuração da cidade através da ocupação dos arrabaldes.
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