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CORRÊA, Elyane Lins. O urbanismo depois do fim da história. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

Neste texto analisarei alguns conceitos e idéias que, em meu juízo, fundamentam a leitura, a interpretação e o discurso - que predomina há décadas - sobre a produção arquitetônica e urbanística européia, e que marcou a cultura historiográfica da arquitetura e do urbanismo do século XX no Brasil, a saber: a idéia de história total, a idéia de progresso e a idéia positivista de avanço técnico. Estas são as coordenadas conceituais que encontramos no trabalho de destacados historiadores, arquitetos e urbanistas, e se baseiam em uma concepção da história de caráter idealista, teleológica e totalizadora da unidade final dos fatos históricos, a partir da qual elaboram suas grandes sínteses. Nesta concepção de história há uma crença no avanço técnico como o motor que guiará o caminho da humanidade no sentido de uma emancipação e progressos crescentes, cabendo a arquitetura e ao urbanismo um papel de destaque. Estas idéias e conceitos, no entanto, vem sendo submetidos, desde o final do século XIX e inicio do XX, como se sabe, a uma revisão critica quando se apontou o caráter ideológico ou enganador destas idéias, e os aspectos inquietantes e trágicos das relações entre cultura e técnica/tecnologia e, por conseguinte, destas relações com a arquitetura, o urbanismo e o planejamento. A partir de então, afirmou-se que é ilusório pensar que existe um ponto de vista supremo, compreensivo - a História -, capaz de unificar todos os demais, que englobaria a história da arte, da arquitetura, da cidade, e enfim, de todas as manifestações e atividades humanas. Mas essa idéia de história, como um grande relato, parece ter chegado ao seu fim. Estas críticas e revisões configuraram-se no que podemos chamar, sinteticamente, como 'a crise da história e do humanismo progressista', chegando à contemporaneidade como o tão discutido 'fim da história'. Diante disso uma pergunta se impõe à reflexão: que desdobramentos têm estas revisões criticas para a história e a prática do urbanismo e do planejamento contemporâneo, considerando que tais idéias e concepções são, ainda hoje, assumidas por urbanistas e planejadores? Pensar estas questões, que se articulam, necessariamente, com outras áreas do conhecimento, deve ser compreendido como um esforço de reflexão para transpor o isolamento disciplinar tecendo discursos transversais e distintas formas de interpretação sobre 'a história' da cidade e do urbanismo.
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