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EDUARDO, A. R. B. Abastecimento d´água e estruturação urbana : a relação entre poder e saber na São Paulo dos anos 1920. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 5 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

O abastecimento d'água da cidade de São Paulo esteve, desde fins do século XIX e, especialmente, nas primeiras décadas do século XX, "na ordem do dia da Engenharia Nacional". A cidade se desenvolveu vertiginosamente acompanhada, ao mesmo tempo, pelos surtos de progresso econômico e industrial, pelo incremento populacional e pela precariedade dos serviços de infra-estrutura urbana. Se a escassez de água para suprimento da população era problema emergencial, as distintas possibilidades de sua adução (Rio Claro, Rio Paraíba e Rio Tietê; esta última defendida por Saturnino de Brito) e as várias filiações - quer sejam técnicas ou políticas à questão - acabaram por representar, ao longo da história, o contraposto desse processo. Intensos debates firmaram-se entre a classe profissional e o poder público no que se refere à viabilidade técnica e econômica da adução das águas, sobretudo nos anos 1920. Assim, é objetivo deste trabalho resgatar o debate sobre a implementação do serviço de abastecimento d'água da cidade de São Paulo tendo como mote o papel da Comissão de Obras Novas, criada em 1926 e chefiada por Henrique de Novaes, e a relação direta estabelecida, naquele momento, com a questão urbana e territorial. Buscará explorar temas recorrentes e amplamente discutidos nas principais revistas de classe (Revista Brasileira de Engenharia, Viação, Revista do Clube de Engenharia, etc.) e periódicos locais (Diário da Noite, O Estado de São Paulo, Correio Paulistano, Folha do Partido Democrático), no período de 1925 a 1927, como: a previsão de expansão da área urbana e a capacidade de edificação nas diferentes zonas; o problema, já presente, da contaminação das águas; a construção de estradas de rodagem que previam a ligação futura da capital ao litoral; a inserção de melhoramentos na cidade existente, bem como a dimensão geográfica dos serviços que abrangiam o suprimento de municípios já "ligados" a São Paulo como São Bernardo e São Caetano. Procura-se, portanto, descortinar esse processo, por meio de suas interfaces revelando o papel da engenharia como principal mentora dos melhoramentos urbanos e a tênue relação de disputa e dependência entre os poderes e os saberes na estruturação das cidades modernas brasileiras.
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