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Oliveira, Alberto de. O espaço como variável explicativa da dinâmica do mercado de trabalho. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 11., 2005, Salvador. Anais... Salvador: ANPUR, 2005.
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Resumo

Na literatura sobre o mercado de trabalho, o território usualmente ocupa posição subalterna na análise sendo considerado, na maioria das vezes, apenas como palco dos acontecimentos. O objetivo desse trabalho é incorporar o espaço como uma das variáveis explicativas do comportamento do mercado de trabalho. Essa investigação foi inspirada em polêmica recorrente que os problemas do desemprego no Brasil estariam circunscritos às áreas de industrialização consolidada, notadamente a Região Metropolitana de São Paulo. Ao passo que, no interior do país, estaria havendo uma ampliação das oportunidades de trabalho devido às mudanças econômicas levadas a cabo nos anos 1990. Este trabalho está baseado na convicção que a dinâmica do mercado de trabalho e, particularmente da taxa de desemprego, reflete um conjunto de condicionantes econômicos, demográficos e políticos que não podem ser simplificados no embate interior x metrópole. Por isso, dentre os diferentes elementos que afetam o comportamento do mercado de trabalho, optou-se pela análise detalhada dos efeitos oriundos do território sobre o comportamento da taxa de participação. A taxa de participação mede o contingente de pessoas que integram o mercado de trabalho. Em razão do baixo dinamismo que vem caracterizando a economia brasileira desde os anos 1980, muitas vezes, as flutuações da taxa de desemprego têm sido explicadas mais pelas mudanças na taxa de participação do que pela evolução do nível de ocupação. Daí a atenção dispensada sobre o comportamento espacializado dessa taxa. O estudo partiu do pressuposto que a maior densidade econômica do território (representada pela variedade de atividades econômicas presentes num determinado recorte geográfico) amplia as oportunidades de inserção dos indivíduos no mercado de trabalho. Em outras palavras, as áreas com maior variedade econômica criam alguns tipos de ocupações que não estão presentes nos espaços onde o leque de atividades econômicas é mais restrito. De forma a averiguar a consistência dessa hipótese, os municípios do Estado de São Paulo foram reunidos em quatro grupos de acordo com a densidade econômica e a distância da capital. Em seguida, os valores médios obtidos (a partir de informações da RAIS e do Censo Demográfico) foram submetidos a diferentes testes estatísticos. A análise de variância comprovou que os municípios com maior densidade econômica apresentam taxas de participação mais elevadas. Adicionalmente, por meio de uma regressão multinomial, calculou-se o quociente da probabilidade dos efeitos esperados sobre a taxa de participação devido ao aumento da variedade de atividades econômicas nos municípios. Tais resultados mostraram que a análise dos elementos presentes no território, ao lado dos condicionantes econômicos e sociais, pode contribuir favoravelmente para aprofundar o entendimento da dinâmica do mercado de trabalho, principalmente em países marcados por forte heterogeneidade espacial, social e econômica como o Brasil.
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