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SILVA, Rosana da. A inexistência de favelas em Franca. Os fatores políticos, econômicos e sociais que impedem a formação de favelas. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 5 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 7
Índice h: 2  
Co-autores: 11

Resumo

O desenvolvimento do processo produtivo capitalista no Brasil ocasionou grandes modificações na estrutura urbana das cidades sem que houvesse um planejamento prevendo infra-estrutura urbana, equipamentos públicos e moradia para atender a todos os trabalhadores que invadiam as cidades a procura de empregos. A falta de política urbana eficiente, juntamente com o empobrecimento causado pelas chamadas "décadas perdidas" levou a proliferação de favelas e loteamentos ilegais, negando a grande parte da população o direito à cidade. No caso de cidades entre 100 a 500 mil habitantes 79% possuem favelas. A questão aqui colocada é como 21% das cidades conseguem resolver seus problemas habitacionais? Houve um protecionismo que favorecesse a construção de maior quantidade de casas financiadas pelo Estado?, o crescimento populacional foi mais lento e permitiu o ajuste das políticas habitacionais às necessidades da população? A média salarial é maior que a de outros municípios? Para responder a essas questões o trabalho que se propõe apresentar analisa o desenvolvimento urbano da cidade de Franca, São Paulo - que possui uma população de 287.737 habitantes e economia sustentada pela indústria couro-calçadista, setor bastante afetado pelas crises das últimas décadas - que desde 1984, com a transferência do último núcleo de favelados para um conjunto residencial construído em regime de mutirão, consegue evitar a formação de favelas. Através da comparação com cinco cidades que possuíam número populacional semelhante à Franca no ano de 1970 ou em 2000 busca-se responder as questões levantadas anteriormente. Pretende-se analisar a política habitacional do município, chamando a atenção para a importância das políticas descentralizadas que possibilitam aos órgãos públicos considerar as especificidades locais e incentivar o que é chamado por Feldman (2002) de "indústria do lote": a grande quantidade de terrenos oferecidos pelo mercado imobiliário à população de baixa renda. Procura-se verificar qual o interesse do setor imobiliário envolvido nesse tipo de empreendimento. Porém, se é possível concluir porque não ocorrem invasões de terrenos na cidade, isso não explica quais as dificuldades da população de baixa renda para construir sua moradia, assim a análise empreendida buscará discutir uma questão polêmica do processo de provisão habitacional: o custo social da autoconstrução.
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