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LUDERMIR, Rosa Bernarda. A metrópole do estrangeiro : influência de características culturais na apropriação do espaço urbano do Recife pela imigração judaica na primeira metade do século XX. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

Na metrópole, resultante da sobreposição de tempos e da intervenção de diferentes atores, palco de diversidades, interagem cidadãos, migrantes e estrangeiros que, regidos por diferentes códigos, com diferentes gestos e práticas sociais, participam da contínua atribuição de novos usos e significados às estruturas urbanas. Modelada ao longo de milênios num processo que inclui a consolidação de urre código religioso, a experiência territorial da Diáspora e a convivência com preconceitos, a identidade cultural judaica expressa-se, também, na apropriação do bairro da Boa Vista onde, nas primeiras décadas do Século XX, instalou-se uma comunidade de imigrantes judeus no Recife, Seus depoimentos -principal fonte desse trabalho - e o mapeamento da gradativa ocupação do tecido urbano, indicam estreita relação entre aspectos culturais e a apropriação coletiva do espaço. A convivência com preconceitos e freqüentes migrações condiciona a escolha de parte da cidade, e instituições peculiares que concentram em torno de si os membros da comunidade propiciam a formação de um nicho urbano, delineando estratégias de inserção dos judeus em novos contextos. Num movimento de quatro tempos - escolha, concentração, expansão e dispersão - a vida comunitária judaica se transferiu, no Recife, do espaço privativo dos quintais compartilhados para o espaço resguardado da Pracinha da Alegria, até se expor na Praça Maciel Pinheiro, para onde convergem as ruas ocupadas pelos judeus no período entre a eclosão das guerras mundiais I e lI. Inseridos na sociedade local, os judeus acompanharam a classe média na ocupação de outros espaços residenciais na cidade, Mantêm, entretanto, sua participação rio uso comercial cia Rua da Imperatriz e imediações da Praça Maciel Pinheiro que adquire valor, no uso e na memória, de lugar judeu no Recife. Tantas vezes migrantes, os judeus carregam consigo "o morar" e não "a casa" - o gesto e não o edifício. Esse trabalho trata das marcas judaicas no tecido urbano colonial coletivamente apropriado, que ganha diferentes usos, atores e significados no contínuo processo de produção da cidade, que se reinventa a cada instante.
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