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ARRAIS, Cristiano Pereira Alencar. A sagração do passado : política, identidade e representação do tempo na construção de Belo Horizonte. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar o processo de construção de duas cidades planejadas e o processo de transferência de Capitais (de Ouro Preto para Belo Horizonte/MG e da Cidade de Goiás para Goiânia/GO) dando ênfase às formas como aquelas sociedades representavam a si, seus conflitos de classificação (suas divisões, lutas, delimitações e percepções do real) e como determinados grupos políticos tentaram legitimar a identidade social através de suas representações do tempo. A hipótese central que norteia este trabalho sugere que para a vitória dos projetos políticos que envolviam a construção das duas cidades foram necessárias estratégias de legitimação social e política baseadas na reconstrução e reelaboração do passado de forma a ordenar a memória sobre as antigas capitais e suas histórias, Nesse sentido, evidenciam-se as tentativas de conformação da relação presente/futuro ao mesmo tempo em que o passado submetia-se a um processo de sacralização. O objetivo era formar uma comunidade de sentido ao mesmo tempo em que estabelecia uma representação do tempo que fosse coerente com as estruturas de dominação política regional. Dois conceitos fundamentais para a execução de tal análise são: tradição e representação do tempo. O primeiro teria como função gerar coesão social a partir da formação de um vínculo afetivo entre seus partícipes (comunidade de sentido), apresentando ao mesmo tempo um estatuto coercitivo, expresso pelo seu traço moral, visto que agiria como elemento classificador do indivíduo em relação ao conjunto da comunidade (modos de comportamento, costumes etc). Quanto ao conceito de representação do tempo, os critérios para sua discussão foram abordados por R. Koselleck e P. Rìcoeur. O primeiro tenta definir os modelos temporais da experiência humana (irreversibilidade, irrepetibilidade e simultaneidade do anacronismo) que combinados formam categorias temporais históricas. O segundo entende o tempo como uma articulação necessária com a forma narrativa. Da substituição da idéia de presente pela idéia de passagem, de transição, surge uma noção bastante maleável de tempo histórico e a possibilidade de refiguração da nossa experiência temporal.
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