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NOGUEIRA, Helena de Cássia. Inovação no urbanismo brasileiro da primeira república : o traçado de saturnino de brito para a expansão da capital Paraibana. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 1 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Em 1913, o engenheiro Saturnino de Brito projetou para a capital paraibana, então denominada Parahyba do Norte, um plano de expansão urbana que inovava o urbanismo brasileiro, por seu desenho diferente e pelos princípios que o embasavam - os quais integravam uma teoria urbanística, por ele formulada, que seria divulgada através do documento Le tracé sanitaire des villes, apresentado na França, em 1916. Nas três décadas anteriores, o traçado de novas áreas urbanas no Brasil tinha seguido geralmente a fórmula clássica da quadrícula. Em alguns casos, mais elaborados (Belo Horizonte, Vitória, etc.), a esta sobrepunham-se avenidas retilíneas oblíquas que convergiam para praças ou ronds-points, nos moldes de esquemas utilizados pelo urbanismo barroco (Versalhes, Washington...). Facilidade de circulação e objetivos estéticos eram os fatores que ditavam tais soluções. Já o plano para a capital paraibana era governado por outra preocupação: o traçado viário deveria, independentemente da estética, favorecer ao máximo o lançamento das redes sanitárias (abastecimento d'água, esgoto e drenagem), sem prejuízo da circulação. Assim, ele ficou com um desenho livre e assimétrico, ajustado à topografia, sem grandes retas (exceto a avenida de delimitação), sem quadras retangulares ou quadradas, com ãngulos agudos e obtusos, e com quarteirões de formatos variados e irregulares - alguns com lados reentrantes ou curvas. Curiosamente este desenho, de motivação utilitária, proporcionava inegáveis qualidades estéticas aos espaços por ele projetados. Esta forma primordialmente "sanitária" de traçar as áreas urbanas foi a alternativa concebida por Saturnino de Brito depois de estudar o urbanismo de sua época e não encontrar nele nenhuma abordagem que o satisfizesse plenamente - a despeito de sua admiração por idéias de diversos estudiosos, como Camillo Sitte. O conservadorismo dos administradores paraibanos não permitiu que o plano em questão fosse executado, uma mera quadrícula tendo sido implantada no seu lugar. Mas o papel dele, enquanto idéia, na evolução do urbanismo brasileiro foi de primeira grandeza - razão pela qual queremos discuti-lo, juntamente com os princípios que ele refletia, na comunicação aqui proposta.
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