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BERNARDI, Paola Moreno. Percorrendo os planos e as reações às idéias impostas à cidade : análise de um século de planejamento em Porto Alegre. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

A partir do momento em que as cidades brasileiras passam a ser objeto de intervenção por meio dos primeiros planos integrados (embriões dos atuais comentados planos diretores), uma série de questionamentos é levantada de acordo com o escopo de cada operação, marcados fundamentalmente pelo descompasso entre o discurso, a proposta e as reais necessidades da população e do próprio "organismo urbano" para maior adequação de seu funcionamento, bem como pela incompatibilidade de idéias que primeiramente buscavam inserir uma "cidade ideal" na realidade existente com as possibilidades orçamentárias (e desejos) locais. Observando o quadro em Porto Alegre, nota-se que, desde o início do século XX, as várias propostas de remodelação, todas dotadas de um discurso estritamente afinado com as idéias regentes do pensamento urbanístico no respectivo período de formulação, suscitaram fortes reações de descontentamento na sociedade à qual os estudos se dirigiam. A reação popular se dá em contextos evidentemente distintos, acontecendo tanto na primeira proposta, o "Plano Geral de Melhoramentos e Embelezamento" formulada em 1914 pelo Eng. Moreira Maciel - contemplando parte da área central com preocupações eminentemente estéticas e tratando apenas do alargamento viário e construção de praças e canteiros - como no I Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano - elaborado já com preocupações de caráter mais global e primeiro momento de inclusão efetiva da participação popular no processo de planejamento, através da criação do Conselho Municipal do Plano Diretor. Este descontentamento, manifestado ao longo de todo o século e vindo de todos os setores sociais, constitui um histórico em que a constância a as particularidades vêm fortalecer e servir como base ao atual movimento das associações de bairros para a revisão de dispositivos do II PDDUA, plano este elaborado num processo aberto e participativo e ainda assim não atendendo aos anseios dos agentes envolvidos na construção da cidade. Este trabalho busca expor uma fração bastante relevante quando se trata dos planos de intervenção urbana: a parte que envolve a satisfação doa cidadãos com as propostas de cidade a serem implantadas no meio onde vivem, precisamente revisando as propostas pensadas para Porto Alegre no século XX. Não se trata de desconsiderar a relevância dos profissionais envolvidos, com suas idéias responsáveis pela inclusão da cidade no rol das expressões materiais do pensamento urbanístico da época na qual foi elaborado cada plano, objeto da "enorme" maioria dos trabalhos no tema, embora basicamente não haja dissonância na prática com relação aos casos paradigmáticos do planejamento brasileiro - Proto Alegre só vem a apresentar uma "ruptura vanguardista" evidente na incorporação do Conselho Municipal do Plano Diretor pelo plano de 38. A intenção é explorar alguns resultados da implantação (ou discussão) destes ideais de cidade sob a forma de diversas manifestações de reação de diferentes segmentos da sociedade à ação pública - consistindo estas em protestos, debates acalorados e mesmo no surgimento da cidade "informal", bem como na "contribuição" para que atenções se voltassem ao planejamento metropolitano. Para melhor sistematização da reflexão, cada proposta será analisada isoladamente, incluindo apresentação de seus objetos de intervenção e do discurso norteador, seguida do efeito causado nos descontentes - momento no qual, quando possível, o discurso da autora cede lugar às reais manifestações dos atores envolvidos no processo de implantação, formulação ou avaliação de cada plano, deixando "falar" os mais capacitados para tratamento da questão.
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