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SOARES, Paulo Roberto Rodrigues. Utopias urbanas : os planos de melhoramento urbano da cidade de Pelotas (RS) na década de 1920. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

As décadas finais do Século XIX e as primeiras décadas do Século XX marcam um período de "transição urbana" no Brasil. Nas principais cidades do país ocorreram diversas transformações urbanas, indicando a passagem definitiva de uma forma urbana colonial para uma morfologia urbana capitalista e industrial. Este movimento atingiu as principais cidades, a capital federal (o Rio de Janeiro), as principais capitais estaduais, as cidades portuárias e as principais cidades do interior nas quais ao ciclo de acumulação de capitais comerciais proporcionado pela economia agro-exportadora, sucedeu-se um primeiro e vigoroso surto de industrialização. A cidade de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul foi uma destas cidades. Situada no extremo sul do Brasil, na segunda metade do XIX, a cidade de Pelotas constitui-se no centro da economia das charqueadas, com sua elite de estancieiros e charqueadores hegemonizando o vasto hinterland da Campanha Gaúcha. Em função desta acumulação de capitais a cidade percebeu um período de intenso crescimento populacional e urbano que exigiu a construção de infraestruturas (saneamento, redes de energia elétrica, gás, bondes, telefones), a constituição de uma série de regulamentos urbanísticos, bem como a confecção de planos de melhoramento, embelezamento e crescimento urbanos. Sua elite, além do mais, construiu um importante património arquitetõnico caracterizado pelos "casarões" em estilo neoclássico e eclético, bem como por uma série de obras importantes (edifícios públicos, teatros, o mercado público) que tornaram seu centro urbano peculiar no interior do Rio Grande do Sul. Na comunicação discutiremos a difusão do urbanismo e das idéias urbanísticas nas primeiras décadas do século XX no Brasil tendo como base os planos de melhoramento e embelezamento urbanos desenhados para a cidade de Pelotas. Estes, na visão das elites dirigentes, deveriam cumprir duas funções principais: (i) dar conta dos problemas urbanos enfrentados pela cidade neste período de crescimento; (ii) possibilitar a transformação do centro urbano em um espaço de valorização simbólica, espelhando na sua morfologia a riqueza, o poder e as idéias da sua "aristocracia ilustrada", Para compreender este processo analisamos dois planos urbanísticos realizados na década de 1920: o Plano Geral de Pelotas (1922), idealizado pelo arquiteto Fernando Rullman e o Plano de Extensão (1927) elaborado por Saturnino de Brito. Nestes dois planos verificaremos as influências das idéias urbanísticas vigentes nos grandes centros urbanos brasileiros (especialmente na Capital Federal) e europeus, que serviram de modelo e estavam presentes nos discursos dos dirigentes e planejadores da cidade no momento de sua concepção. Analisaremos o projeto de cidade e as principais proposições dos referidos planos, bem como a distância entre a cidade pensada e idealizada pelo planejamento urbanístico (a cidade ideal) e a cidade realmente construída pelos agentes urbanos (proprietários de terras, promotores imobiliários e o próprio governo local). Finalizando realizaremos um balanço dos planos idealizados para a cidade de Pelotas, seus impactos na estrutura urbana da cidade e suas permanências e influências na morfologia e na imagem urbana da cidade.
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