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BARONE, A. C. C. Reflexões de Giancarlo de Carlo sobre o Arts and Crafts e a Bauhaus. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Número de Trabalhos: 1 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Na ocasião do V SHCU, apresentamos um estudo sobre a obra do arquiteto holandês Aldo van Eyck. Esse estudo era parte de uma pesquisa de mestrado (concluído em jun/2000) sobre o Team 10, grupo que propôs a dissolução do CIAM, em 1956 e, a partir de então, iniciou uma reflexão conjunta acerca dos problemas da arquitetura que estavam produzindo, tendo como um dos temas centrais a relação entre arquitetura e urbanismo. Entre outros participantes do Team 10, estudamos a obra de Giancarlo de Carlo, um arquiteto italiano que fazia críticas contundentes ao purismo proposto como vanguarda por um dos grupos hegemônicos dentro do CIAM. A crítica de Giancarlo incidia sobre o modo abstrato com o qual esse grupo lidava com as questões urbanas, que revelava um posição subjetiva e inclinada à conciliação. Giancarlo de Carlo reconheceu presentes no CIAM duas vertentes de formulação dos problemas da arquitetura moderna. A primeira, que ele apresentava como objetiva, considerava a transformação da linguagem arquitetônica implicada no Movimento Moderno como decorrência de uma necessidade histórica imposta por novas condições sociais e econômicas. Em sua leitura, de Carlo incluía como movimentos filiados a essa tendência o Arts and Crafts, a escola de Chicago, o proto-racionalismo e o racionalismo alemão. A segunda, ao contrário, assumia que a qualidade expressiva da nova linguagem era reflexo de uma inspiração subjetiva. Essa vertente, conectada com o Art Nouveau, a escola de Viena, o futurismo e o neo-plasticismo, era liderada dentro do CIAM por Le Corbusier. Segundo ele, essa vertente avaliava os resultados da arquitetura moderna em função de sua elaboração estilística, baseada na proposição de um novo padrão de gosto, sem promover a compreensão dos processos técnicos e sociais envolvidos. Para de Carlo, essa última vertente representava um retrocesso na discussão sobre a cidade contemporânea. Segundo ele, esse grupo concebia o projeto urbano como uma extensão da arquitetura, uma oportunidade excepcional de estender o episódio arquitetônico em uma escala ampliada. Ou seja, para eles, a distinção entre os campos da arquitetura e do urbanismo era dada meramente por uma questão de escala. Essa concepção, para de Carlo, negligenciava o desenvolvimento da cidade moderna, achatando os novos significados, as diferentes relações implicadas, as transformações econômicas e sociais inerentes a ele. A primeira vertente, que de Carlo também observava criticamente, teria pressupostos que guardavam possibilidades mais consistentes de renovação, de adequação às reais necessidades humanas e de consistência como solução de projeto, porque enfrentava o problema a partir de um ponto de vista vinculado às condições da realidade envolvida. A partir de reflexões teóricas sobre o papel e o significado de movimentos como o Arts and Crafts e a Bauhaus, de Carlo formulou opiniões que marcariam sua posição e dariam subsídios para formular uma resposta própria para a dúvida que incomodava o Team 10 quanto às delimitações e distinções dos campos da arquitetura e do urbanismo. Essas reflexões não se encaminharam no sentido da defesa de princípios pré-estabelecidos. Pelo contrário, em seus estudos, o arquiteto preocupou-se em reconhecer os limites das propostas desses movimentos, sob a perspectiva de uma superação do que ele entendia como um período de regressão para a arquitetura moderna. Assim, interessa compreender como o arquiteto posicionou-se em relação a esses dois movimentos (o Arts and Crafts e a Bauhaus), até certo ponto no sentido de uma filiação de idéias, mas sem perder de vista um conteúdo crítico. A reflexão teórica do arquiteto não apenas colaborou no enriquecimento das discussões do Team 10 como ajuda a compreender sua obra projetual.
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