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MOURA, Rosa. Os riscos da cidade-modelo. Os riscos da cidade-modelo. In Rio de Janeiro,2001. p.203-237
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 6 (Com arquivo PDF disponíveis: 1)
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Co-autores: Nenhum co-autor encontrado

Resumo

Essa Curitiba de então, já tão desfigurada, foi cuidadosamente "produzida" e manejada para que se tornasse uma imagem de perfeição, sem conflitos nem contradições, impiedosamente hostil ao seu fantástico "vampiro". Inserida no seleto rol de cidades-modelo, Curitiba descreve então uma história de mais de 30 anos, nos quais a construção simbólica de um cenário de eficácia e perfeição vem impedindo descortinar os bastidores de sua realidade comum, brasileira. Sob o brilho de elogios e premiações internacionais, o projeto Curitiba passou a ser observado e, em partes, reproduzido. O aprimoramento do discurso que lhe dá sustentação, tendo-se apropriado mais recentemente da preocupação ambiental, fez com que não apenas fosse internacionalizado o seu planejamento e a sua gestão urbana, como a sua preocupação quanto à adequação de estratégias que se pretendem voltadas para a sustentabilidade. Essa "Curitiba Ecológica", revisitada por Trevisan, nos anos de 1990, aumenta seu espanto: que fim, ó cara, você deu à minha cidade? Uma das três cidades do mundo de melhor qualidade de vida segundo uma comissão da ONU. Ora, o que significa uma comissão da ONU? Ó cidade sem lei. Capital mundial de assassinos no volante. Essa é a cidade irreal da propaganda. Dessa Curitiba eu não me ufano (TREVISAN, 1991). A ira manifesta nessas poucas linhas da literatura talvez expresse a síntese da perplexidade de todos aqueles que ainda são a alma desta Curitiba, cuja face foi tão bem maquiada pelo projeto de cidade-modelo. Trevisan sugere que o consenso sobre a cidade é apenas aparente; as contradições existem e, por trás das certezas construídas pela Curitiba oficial, há elementos da "outra" Curitiba, repletos de significados. Para partir em busca desses significados, será preciso conhecer alguns momentos da história do seu planejamento, discutindo o processo de formação do espaço metropolitano; desmontar algumas armadilhas de seu sistema de gestão urbana, hoje adjetivado pela expressão "com qualidade de vida", avaliar as implicações do seu planejamento como elemento de segregação do espaço e colocar em pauta certos perigos - tendências regionais e fragilidades desse modelo que pode, desde já, estar desviando-se de seus rumos. É o que pretendemos nesta reflexão.
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