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SUGAI, Maria Inês. Ações do poder público na produção da segregação espacial urbana. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 4 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 42
Índice h: 2  
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Resumo

Os espaços altamente desiguais que apresentam as regiões metropolitanas brasileiras refletem as enormes desigualdades sociais. O separatismo social adquire visibilidade nos espaços intraurbanos através da segregação espacial. O presente texto considera que a segregação espacial constitui-se em poderosa força no processo de estruturação intra-urbana (Villaça, 1998) e, ainda, que viabiliza o controle da produção do espaço urbano pela classe dominante e a reprodução das relações de dominação (Lefebvre, 1969). Dentre os agentes que atuam na produção desta estrutura de poder as ações do Estado tem papel fundamental, em especial através da localização dos investimentos públicos. Este texto relata, parcialmente, pesquisa desenvolvida na área conurbada de Florianópolis. Atualmente, assim como Curitiba, Florianópolis é considerada como referência emblemática de boa qualidade de vida, e vem atraindo constantes fluxos migratórios de população de alta renda. Este fenômeno contribuiu para que Florianópolis apresente hoje o maior Rendimento Médio - 10,7 salários mínimos - dentre os responsáveis pelos domicílios, considerando a totalidade dos municípios brasileiros (IBGE, 2000). No contexto dos municípios da área conurbada, no entanto, mantém-se o crescimento da pobreza, as disparidades entre os ricos e pobres e amplia-se o processo de exclusão social e a segregação espacial. Atualmente, cerca de 14,7% da população de Florianópolis e 9,6% da área conurbadá vivem em favelas. A Pesquisa demonstra que, nas últimas décadas, a localização sistemática dos investimentos públicos nas áreas ocupadas pelas camadas de alta renda, em especial na Ilha, atuou de forma decisiva na estruturação intra-urbana e na produção e consolidação da expressiva segregação espacial. Esta estrutura segregada permite manter um círculo de constantes ações do Estado naquelas mesmas áreas privilegiadas e garante essa migração de parcela das elites brasileiras para Florianópolis. Demonstra também o alto poder segregativo da classe dominante e o grau de controle que tem sobre as ações do Estado. Evidencia, assim, que, mais do que decisões técnicas a localização e a distribuição dos investimentos públicos envolvem decisões políticas, o que ressalta a importância da participação da população nas decisões sobre a alocação dos recursos e investimentos, como garantia de um espaço intra-urbano mais justo, equilibrado e que permita reduzir as desigualdades sociais.
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