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SOUZA, Marcelo Lopes de. Revisitando a crítica ao mito da marginalidade : a população favelada do Rio de Janeiro em face do tráfico de drogas. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 7., 1997, Recife. Anais... Recife: ANPUR, 1997. p. 1224 - 1234.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 6 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: Nenhuma citação encontrada
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Resumo

Em trabalhos anteriores o autor do presente texto teve a oportunidade de, enfaticamente, rebater o "mito da marginalidade", assim como a sua "atualização" a partir da crescente visibilidade sócio-política do tráfico de favela. Sem querer, de modo algum, suavizar as críticas por ele endereçadas em outros trabalhos ao moralismo conservador reducionista e estigmatizante, o autor destas linhas entende ser necessário, porém, refinar ainda mais a análise, com base em sua experiência acumulada a partir da realização de inquéritos e observações de campo. Mesmo os favelados não sendo econômica, política ou culturalmente "marginais", será razoável, no final dos anos 90, continuar vendo a população favelada como composta por uma maioria de trabalhadores valorativa e funcionalmente claramente distinta dos "bandidos"? Mesmo os"moradores comuns" sofrendo diversos tipos de efeitos negativos da presença do tráfico, não seria necessário focalizar mais realisticamente os elos que, econômica, cultural e afetivamente, os unem aos bandidos. 0 autor sabe dos riscos embutidos em uma análise como a que se segue. Aqueles leitores afeitos ao sacrifício do rigor analítico em favor de maniqueísmos panfletários, onde o mundo aparece dividido em "mocinhos" e "bandidos" absolutos, poderão ver-se tentados, a esta altura, a interpretar este trabalho como uma tergiversação, ou mesmo um recuo, diante da missão de denunciar a exploração da maioria por uma minoria. Muito longe disso, o fato é que, sem negar a fragilidade estrutural e os sofrimentos da população favelada faz-se mister recusar um enfoque romântico e simplisticamente "vitimizador" dos favelados em geral (e dos traficantes em especial), em particular considerando a multiplicidade e a grande expressão dos vínculos econômicos que ligam os favelados ao tráfico.
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