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FARIAS FILHO, José Almir. Ekistics : um projeto de urbanismo mundial esquecido considerações sobre a contribuição de constantinos doxiadis ao urbanismo brasileiro. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 3 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Quarenta anos se passaram, desde a primeira visita de Constantinos Apostolu Doxiadis (19131975) ao Rio de Janeiro. Convidado pelo governador Carlos Lacerda para elaborar um plano de desenvolvimento urbano para o Estado da Guanabara, o arquiteto e urbanista grego não deixou, entre nós, discípulos e admiradores, como o fizeram Agache e Le Corbusier. Doxiadis é hoje, no mais das vezes, sinônimo de plano engavetado naqueles dias agitados dos anos 60. E, no entanto, para além do urbanista carismático e estrategista, com competência adquirida em inúmeros projetos internacionais, encontramos o teórico e o filósofo. Ainda nos anos 60, Doxiadis cria em Atenas um centro de pesquisa sobre o urbanismo, no qual recebe periodicamente grupos de arquitetos do mundo inteiro para sessões de debates sobre os princípios de uma nova ciência: a Ekistics (equística). Segundo C. Doxiadis, a Ekistics seria uma ciência das aglomerações urbanas em escala planetária. Ela se estrutura em análises prospectivas pluridisciplinares e em medidas prescritivas (projetos), considerando a complexidade das dimensões funcionais e espaciais urbanas. A questão demográfica tem um lugar importante na teoria da Ekistics: Doxiadis aponta para a formação de uma faixa contínua urbanizada, a "ecumenópolis" (ou "cidade universal"), após a estabilização da população mundial ao longo do século XXI. Contudo, é parcial a leitura de quem enxerga no pensamento de Doxiadis apenas uma reatualização da teoria demográfica multhuseana, ou uma vertente humanista do discurso tecnotopista, ou, ainda, uma subcategoria do urbanismo doutrinal da Carta de Atenas. No presente trabalho, consideramos a hipótese de que a Ekistics se pretende uma "disciplina urbanística de síntese" face a um mundo em processo de globalização, e que, embora se enquadre como uma teoria objetivista do conhecimento, identifica as cidades como lugares de projetos culturais precisos, determinados histórica e politicamente por forças antagônicas. Daí sua aceitação da multiplicidade de saberes urbanísticos existentes e sua necessidade metodológica de estudar o conjunto das aglomerações do planeta para, só então, pretender estabelecer conclusões gerais. Com base nessa hipótese, reconstituímos o quadro teórico-conceitual da Ekistics a partir de uma análise do Plano Doxiadis para a cidade do Rio de Janeiro (e de outros escritos), de modo a identificar a contribuição de seu autor para a prática urbanística no Brasil. Neste aspecto, destacamos principalmente as noções de escala, contexto e de multi-temporalidade urbana.
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