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ALMEIDA, Maria Soares de. De beco à avenida : as políticas públicas e a transformação do espaço morfológico - Porto Alegre na primeira metade do século XX. Seminário da História da Cidade e do Urbanismo, 7°, Salvador, 2002.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 5 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 4
Índice h: 1  
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Resumo

O campo do interesse pelo estudo da cidade envolve necessariamente a própria complexidade que se reveste a questão urbana. O desvendar deste objeto multifacetado requer vários olhares e campos de visão diferenciados. E se este olhar for do especialista que analisa a morfologia urbana da cidade no momento presente, poderão ser vislumbrados passados que revelam outros tempos, outras cidades, erguidas sobre outros ideários e em contextos políticos sociais específicos. Ë com este pressuposto que este trabalho se desenvolve na busca da contribuição à construção de uma das faces da "história urbana" que enfoque o espaço morfológico. A cidade em estudo é a capital do estado do Rio Grande do Sul, centro econômico e político e polo principal de uma região metropolitana de três milhões de habitantes. O seu "core" urbano, centro histórico e ponto de convergência de uma rede viária que o mantém ainda hoje com características de alta centralidade, contem traços de uma morfologia que revela outros tempos, outras cidades, a cidade que foi sendo construída sob ideários vigentes em cada período de seu passado. Tendo-se como elemento de observação a morfologia desta área central, encontram-se marcas na paisagem urbana que testemunham momentos de sua transformação através do tempo. Esta área central, ponto de referencia para a leitura dos traços mais remotos da história da ocupação do espaço, ainda contem marcas de sua origem colonial que se revelam principalmente através das ruas estreitas, das edificações de um ou dois pavimentos no alinhamento dos passeios, associados ao espaço das avenidas, que cortam o tecido original da área central, propondo conexões com áreas adjacentes e bairros na forma de linhas radiais. Com sua arquitetura eclética clara herança do século XIX, em contraste com a cidade verticalizada, com seus panos de vidro, suas empenas cegas, projetando sombra sobre os passeios ao longo do dia, revelando a cidade "moderna", a cidade do século XX. Neste contexto analisa-se a transformação de um espaço que representa a ruptura de um tecido característico da cidade do século XIX com suas ruas estreitas e seus espaços insalubres, locus da pobreza e habitação da classe trabalhadora e marginalizada da sociedade - o beco, para a construção da cidade "moderna", onde a classe burguesa pudesse construir os seus espaços de trabalho e moradia - a avenida. Distingue-se traços de cada período histórico onde, por um lado, o ideário era o saneamento e embelezamento ou o modelo hasmanianos dos grandes bulevares e avenidas, dos edifícios de seis pavimentos configurando as interfaces continuas das ruas. Mas logo ali o edifício sobre pilotis com seus recuos laterais provocando o rompimento da continuidade da linha das fachadas confirmam o surgimento de outro tempo onde o modernismo funcionalista, imperante a partir da década de 30 e 40, marcou a paisagem com traços tão fortes que permanecem até nas edificações mais recentes. O estudo de um fragmento urbano - a avenida Senador Salgado Filho, permite desvendar este passado, avaliar o processo de transferencias de modelos urbanisticos e os instrumentos de controle morfológicos adotados pelas administrações da cidade. Interessa discutir como se expressam estes modelos na forma das políticas públicas que adotadas pelas administrações locais foram condutoras da tranformação da cidade nas primeiras décadas do século XX.
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