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LEME, Maria Cristina da Silva. A circulação de idéias e modelos na formação do urbanismo em São Paulo, nas primeiras décadas do século XX. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 15 (Com arquivo PDF disponíveis: 2)
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Resumo

Ao realizar a pesquisa para o doutorado um dos aspectos estudados foi, o que denominamos na época, a influência das idéias de urbanistas estrangeiros na formulação das propostas dos urbanistas paulistanos. Abria-se naquele momento um campo importante de pesquisa. O prosseguimento de estudos e pesquisas e a participação em uma rede internacional de pesquisa sobre história do urbanismo permitiu avançar na percepção sobre as formas assumidas pela circulação de idéias e o papel que assumem na formação do urbanismo em cada cidade. Criticada a noção de influência por não dar conta da complexidade de relações que se estabeleciam neste transito internacional de idéias e modelos urbanísticos, foi proposta a sua substituição pelas noções combinadas de transferência e tradução para evidenciar as formas de apropriação dos saberes e práticas profissionais. Neste trabalho adoto a noção de circulação com o objetivo de conferir uma maior isonomia entre as partes envolvidas no intercambio das idéias e das práticas urbanísticas. Três hipóteses sustentam esta reflexão sobre a circulação de idéias e modelos: de acordo com a a primeira hipótese o urbanismo é um movimento de âmbito internacional em que algumas idéias - chave ao circular em diferentes países modificam-se e adquirem novas características relacionadas ao meio urbanístico local e ao contexto político, econômico, e social; a segunda hipótese considera o urbanismo como um terreno de trocas de experiências em que todos os profissionais envolvidos modificam-se através destes contatos. A terceira hipótese interpreta as mudanças nas formas de apropriação de idéias e modelos urbanísticos, no decorrer do século XX, como indicadores da crescente autonomia do urbanismo em cada país como reflexo da organização em instituições de ensino e associações profissionais. O modelo cidade jardim foi uma das idéias chave que circulou internacionalmente na primeira metade do seéculo XX. Barry Parker, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto da primeira cidade jardim na Inglaterra, vem ao Brasil durante a primeira Guerra e desenvolve em São Paulo projetos de loteamentos de residencias para a City, companhia de emprendimentos imobiliários. Pode se afirmar que a estrutura formal do modelo foi primeiro assimilada pelos engenheiros palistas nos projetos de novos loteamentos. A idéia de cidade jardim na forma como foi concebida originalmente por Ebenezer Howard é discutida e assimilada no meio urbanistico paulistano, alguns anos mais tarde, a partir do exemplo de Radburn suburbio americano desenvolvido pela Regional Planning Association of America. Os membros da RPAA mantinham relações com o movimento cidade jardim, mas tambem tinham contato com as experiências do urbanismo alemão em especial as de Martin Wagner e Ernest May. A partir da difusão do modelo cidade jardim procura-se refletir neste trabalho sobre a forma como os urbanistas paulistas assimilaram e transformaram as ideias de uma vertente de reformadores sociais como Patrick Geddes, Ebenezer Howard e Raymond Unwin na Gra Bretanha e Thomas Adams, Clarence Perry and Lewis Munford nos EUA.
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