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BAETA, Rodrigo Espinha. Imaginação e persuasão : a cidade barroca. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 6 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Quando se discute a cidade barroca um dos temas mais presentes é a consolidação e o desenvolvimento da cidade-capital. Como sede dos grandes organismos políticos e religiosos europeus nos séculos XVII e XVIII estes centros de poder adquiriram uma capacidade não antes imaginável de transformação da estrutura urbana preexistente. Assim, as iniciativas de remodelação contribuíram para o surgimento de uma nova dinâmica: as muralhas são rompidas, a cidade adquire um caráter de expansão ilimitada, os grandes eixos viários permitem o cruzamento e a união rápida entre as suas partes mais significativas.[1] Porém é um equívoco acreditar que são estas ações que darão o caráter barroco ao ambiente. Sem a conjugação destas iniciativas com os outros elementos presentes na complexidade urbana, não existiria nada além de uma conformação bidimensional estéril. Na verdade o próprio uso do artifício da perspectiva na poética barroca, tão celebrado pela crítica tradicional, não dá prioridade àquele processo que está vinculado ao direcionamento da visada a um único ponto de vista, a "perspectiva artificialis". O Barroco prioriza a "perspectiva communis", que permite a apreciação e a interpretação de um número infinito de imagens abertas de forma genérica para todo o arco visual.[2] A "perspectiva communis" promove o afastamento da visão ambiental estática quatrocentista em prol de uma apropriação dinâmica das cenas oferecidas pela experiência de descoberta da cidade. O espaço urbano se oferece para todo o campo de visão, sendo desenvolvidas estratégias de conjunção ótica da preexistência arquitetônica e natural, com a nova trama viária e com os novos monumentos. Desta forma o transeunte transforma-se imediatamente em público e protagonista quando, inesperadamente, se depara com acontecimentos dramáticos pontuais espalhados por todo a cidade. Por isso podem existir cidades que não sofrem nenhuma modificação em sua estrutura urbana, mas que passam por verdadeiras renovações artísticas, pois o fator primordial para a construção ótica ilusionística e para o apelo persuasivo é, finalmente, a arquitetura. Cada intervenção edilícia promove ativamente uma relação com o espaço preexistente, seja na conformação de um cenário regular de preparação, seja em uma grande cena que aparece como uma das destinações dramáticas do universo citadino. [1] "Como esquema de organización del espacio, la ciudad-capital difiere profundamente de la cuidad medieval con su vida de barriada: prevé un rápido aumento de la población urbana, la extensión del tráfico por toda el área de la ciudad, núcleos destinados a la actividad política y administrativa cuando no a la estancia de fuertes contingentes de tropas. El tráfico rodado hace necesario las vías anchas y rectas, convergentes en amplias plazas: el trazado de calles se convierte en la gran determinante urbanística. El espacio urbano es una rede de vías e nudos de comunicación: los edificios representativos de la autoridad política y religiosa constituyen los centros de la vida pública." ARGAN, Giulio Carlo. La Europa de las capitales. Genève: Skira, 1964. p. 34. [2] "Esta perspectiva, que ya no es inmóvil y simétrica, sino irradiada y sucesiva, que se abre progresivamente a la mirada y se proyecta sobre todo el arco visual, está mucho más cerca de la perspectiva communis o de la escenografía vitruviana que de la perspectiva artificialis o 'geométrica' del renacimiento." Argan, Giulio Carlo. La arquitectura barroca en Italia. Buenos Aires: Nueva Visión, 1960. p. 35.
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