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BAETA, Rodrigo Espinha. Reflexões sobre a crítica de cunho estético à configuração da cidade colonial brasileira. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 6 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Nunca o "urbanismo" colonial absorveu tanta repercussão como nos últimos anos, interesse impulsionado pela ascensão, a partir de finais da década de 80, da disciplina da "história urbana". Desde o "IV Seminário de História da Cidade e do Urbanismo", realizado no Rio de Janeiro em 1996, já é possível detectar no meio acadêmico, o desenvolvimento de um grande número de estudos que versam sobre o projeto urbanístico luso-brasileiro, revelando um "reacendimento" do tema que teve um certo alcance na década de 60. Não obstante, a condição artística das cidades coloniais luso-brasileiras ainda é pouco compreendida pela crítica. A tendência de reduzir as possibilidades da qualificação estética dos núcleos urbanos a alguns eventuais exercícios de planificação continua dominando as investigações do tema. Assim, a forma urbana colonial é avaliada a partir do conceito modernista de "partido", através da investigação da conformação tipológica das cidades ou dos conjuntos urbanos do período colonial. Esta prática acaba restringindo forçosamente a análise a uma interpretação morfológica da traza, à preocupação exclusiva com a ordenação viária dos assentamentos, mecanismo que não pode ser confundido com uma avaliação estética, ou servir como arcabouço estrutural para a apreciação da condição artística das cidades: na verdade, a partir da superação da estética idealista, o conceito da cidade enquanto obra de arte não se restringe mais à busca do "modelo ideal", expressão de um único personagem, ou de uma situação ideologicamente pré-concebida. Pelo contrário, segundo Argan, para a crítica moderna importa a cidade real, e esta "(..) pode, sem dúvida, ser concebida como uma obra de arte que, no decorrer da sua existência, sofreu modificações, alterações, acréscimos, diminuições, deformações, às vezes verdadeiras crises destrutivas. " Por isso, não só o traçado, mas também os monumentos, os espaços públicos, a preexistência natural e arquitetõnica, as construções civis, o sistema fundiário, todos estes fatores concorrem para definir o caráter que cada núcleo urbano assume em seus diversos "tempos", contribuindo para construir a unidade indivisível da obra de arte "cidade". Sob esta luz, este trabalho propõe desenvolver uma revisão crítica da produção literária que discorreu sobre formação urbana colonial, desde a polêmica suscitada pelo quarto capítulo ("O semeador e o ladrilhador") do livro "Raizes do Brasil", escrito em 1936 pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, até a produção recente sobre o tema.
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