Mais informações

SOUZA, Angela Maria Gordilho. Da idealização do subúrbio à construção da periferia estudo da expansão suburbana no século XX, em Salvador - Ba. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
Clique no nome do(s) autor(es) para ver o currículo Lattes:

Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 9 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: Nenhuma citação encontrada
Índice h: Indice h não calculado  
Co-autores: Nenhum co-autor encontrado

Resumo

Seguindo os ideários fundados na América do Norte e na Europa, a expansão urbana para os subúrbios na América Latina ocorreu no início do século XX, manifestando-se com dinâmicas próprias atreladas às questões culturais, ambientais e socioeconômicas das diferentes localidades onde ocorreu. O processo de renovação urbana, a privatização de terras, o desenvolvimento da tecnologia dos transportes e o início de normalizações da legislação urbanística moderna promoveram a implementação dos primeiros projetos de loteamentos fora da área urbana central através de empreendimentos imobiliários. Foram implantados, preferentemente, ao longo das linhas férreas existentes, de interligação regional, criando outros fluxos espaciais. Como resultado, a superposição de áreas de habitação e de trabalho vai gradualmente desaparecendo, para dar lugar a ocupações diferenciadas por funções, rendas e tipologias, fenômeno que é observado em quase todos os centros industriais emergentes. Também na América Latina as diferenças nos padrões de suburbanização da habitação são significativas, ensejando estudos comparativos. Em Salvador, cidade com, um sistema urbano-portuário já avançado desde os primeiros séculos do Brasil Colônia, a chamada área do Subúrbio, situada na borda da Baia de Todos os Santos em direção da Região do Recôncavo, passa a ser ocupada com as primeiras pequenas vilas, no entorno das estações ao longo da linha férrea implantada em 1870. Muitos loteamentos foram projetados para essa região a partir dos anos 1930, com denominações de "Jardim", "Parque" e "Balneário", seguindo parâmetros modernos do ideário de um novo modo de vida. Havia a expectativa que a crescente população emigrante da zona rural passaria a se alojar nesses novos loteamentos. No entanto, essas imensas glebas, com ruas abertas, permaneceram vazias por décadas, até o inicio dos anos 1970, quando os primeiros conjuntos habitacionais aí foram construídos pelo programas habitacionais do BNH. Concomitante à vagarosa ocupação desses loteamentos, as populações mais pobres passam a ocupar informalmente suas áreas livres reservadas para parques, equipamentos e áreas verdes, bem como as glebas intersticiais de propriedade duvidosa. Observa-se também que muitos lotes, na medida que eram ocupados foram sendo subdivididos. Essa multiplicidade de ocupações transforma o sonho do modo de vida suburbana na formação gradativa de uma periferia urbana complexa, delineando uma intensa e diversificada segregação socioespacial na história da construção desse território, questões reveladas pelo trabalho a ser apresentado, com base em cartografia montada pela pesquisa.
-