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SOUZA, Alfredo Henrique Caldas de. Salvador - "cabeça de ponte" da América portuguesa. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 3 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

O processo de colonização do Brasil, já foi abordado sob diversas temáticas. Entretanto, cabe definir o sentido deste processo, segundo a raiz etimológica do termo. Segundo Bosi (1996:11) "as palavras colo, culto e colonização derivam do mesmo verbo latino Colo, cujo particípio passado é cultus e o particípio futuro é cuturus" - Colo significou morar e ocupar a terra, que teria em si o sentido de ação, de movimento que segue do agente para o objeto. Portanto,"Colo é a matriz de colônia enquanto espaço que se está ocupando, terra ou povo chie se quer trabalhar ou sujeitar" (... )"tornar conta de sentido básico de colo, importa não só em cuidar, mas também em mandar..." (1996:11). No processo de colonização do Brasil, ocorreu, portanto, um deslocamento de diversos segmentos sociais, seus modos de vida, suas relações de poder, sua dinâmica político-econômica, para outro contexto de vida, onde, na verdade, intencionou-se moldar outra forma de organização social. Para abrirmos, então, novos entendimentos do sentido que teve a colonização brasileira e as relações sociais que aí se desenvolveram é preciso entender o significado de cultus e culturus, que são as outras formas nominais do verbo colo. Cultus, segundo Bosi (1996:13) como adjetivo deverbal, (...) trás em si não só a ação sempre reproposta de colo, o cultivar através dos séculos, mas principalmente a qualídade resultante deste trabalho e já incorporado à terra que se lavrou(..) Cultus ê sinal de que a sociedade que produziu o seu alimento já tem memória(...) Processo e produto convém no mesmo signo. (grifo nosso). Cultura, pressupõe, portanto, o futuro nas relações e construção de um presente. A cultura que nascia no processo de colonização se moldou sob novas relações, onde a Coroa portuguesa; aliando-se a diversos outros agentes sociais, políticos, e econômicos, desenvolveu uma influência determinante que se refletiu na construção material e simbólica da sociedade (RIBEIRO; MOREIRA NETO, 1992). Para entender-se e aprofundar-se na História do Brasil Colônia, é necessário aprofundar o conhecimento da prãxls da Engenharia Militar portuguesa, pois, o exercício desta prática no Brasil "remonta ao inicio da luta para firmara autoridade real na colônia" (DELSON,1998:209). Salvador seria o melhor exemplo de uma prática que viria a se consolidar a partir do século XVI: associar a técnica militar de defesa a conformação de núcleos urbanos, tanto que, para isto a Coroa Portuguesa antecipou em bem de cem anos os objetivos do século XIX imperialista ao providenciar uma educação técnica completa num contexto colonial, já que o Brasil foi a primeira colônia das Américas a oferecer localmente engenharia terrestre, marítima e civil, extensão dos programa metropolitanos, inclusive com o mesmo currículo desenvolvido para a academia militar de Lisboa. Assim sendo, houve uma política colonizadora que, através de instrumentos especiais, corro a criação de um corpo profissional altamente especializado, manteve-se o propósito de criar manter e reproduzir um estado de coexistência social. Ou seja, a Coroa Portuguesa, frente ao imenso prodígio de conquistar novas terras num universo ainda desconhecido, pretendeu formar uma cultura, entretanto esta, deveria estar de acordo com o sentido da colonização, isto é, cora os objetivos explícitos e implícitos que ela teve, a fim de constituir uma consciência grupal operosa e operante que mantivesse os desígnios colonialistas da época, colaborando, assim, para a consolidação do poder reinol no futuro.
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