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AZEVEDO, Marlice. A Construção da Cidade na Primeira Metade do Século 20: Niterói, Espelho do Rio. A Construção da Cidade na Primeira Metade do Século 20: Niterói, Espelho do Rio. In Salvador,2005. p. 71-82
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Resumo

A origem de Niterói - aldeia indígena, doada ao cacique Araribóia pelos serviços prestados durante a expulsão dos franceses no Rio de janeiro, assim como o planejamento de sua ocupação no século 19 por determinação real - com o plano da Vila Real da Praia Grande do pintor francês Arnaud Julien Pallière e o posterior plano da Cidade Nova de Icaraí, do engenheiro militar francês Pedro Taulois, já como capital provincial, permite conferir a Niterói um acervo urbano pouco usual em nossas cidades nesse período. A retomada do seu estatuto de capital do estado do Rio de Janeiro em 1903, depois de quase 10 anos de ostracismo, em conseqüência da Revolta da Armada e das divergências políticas internas que defendiam a interiorização da cidade-sede, possibilita a sua entrada no século 20 com o projeto de reedificação de uma capital, em face da capital federal. (Azevedo, 1996.) Valendo-se da Reforma Constitucional de 1903, a administração local é nomeada pelo governo estadual, que toma em suas mãos o papel da reforma urbana que se inicia na jovem capital. Esta se dá no sentido de prover a cidade de uma mais qualificada infra-estrutura: alargamento e calçamento de ruas, instalação de energia elétrica, melhoria dos serviços de bondes e das comunicações marítimas com o Rio de Janeiro. Além dessas novas condições urbanas, medidas como a instalação da sede do governo estadual no Palácio do Ingá, a inauguração do Teatro João Caetano e a criação do Horto Municipal, dentre outras, constituem o arcabouço para a organização de uma vida urbana condizente com uma capital do importante estado fluminense. As primeiras edificações simbólicas são construídas, apropriando-se de espaços previamente definidos: a prefeitura (1904) no largo do Pelourinho, a Câmara (1908) no largo do Rossio (atual jardim de São João), os correios e a Estação das Barcas (1908) na portada da cidade (praça Araribóia/ Martim Afonso). Parques e praças são redesenhados - Campo de São Bento, praça Araribóia, jardim São João, praças Enéas de Castro e Gomes Carneiro (Rinque). Na década seguinte, um projeto mais ambicioso - a praça da República - procura reiterar, simbolicamente, o seu papel de cidadecapital com a escolha de uma área para abrigar o Centro Cívico conjunto de edifícios públicos da administração estadual: Assembléia Legislativa, Palácio da Justiça, Secretaria de Segurança e Escola Normal (complementada posteriormente com a Biblioteca Estadual). O aterrado e o plano de urbanização da área do porto constitui a base de um projeto econômico por excelência, associando o porto ao terminal ferroviário da Leopoldina Railway. A praça da República confere à cidade o simbolismo do seu estatuto de capital e o porto resgata para a administração estadual a instância fiscal, dando-lhe a função de entrada e saída de produtos, conferindo-lhe maior autonomia financeira. (Azevedo, 1997.) Ao par dessas obras, o final dos anos 20 foi coroado com medidas administrativas (deliberação n. 729 de 10 de janeiro de 1927) compreendendo arruamentos, parcelamento e ocupação do solo, que tratavam de diretrizes urbanas mais gerais. Complementando essas medidas, especulações de cunho teórico-práticas sobre a cidade, são elaboradas através do Avant Projet d'Aménagement et d'Extension de Ia Ville de Niterói, tese de doutoramento de Attílio Corrêa Lima (1930).
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