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FARIAS FILHO, José Almir. A periferia metropolitana se deixar desenhar? Condensações territoriais para o espaço periférico metropolitano. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 11., 2005, Salvador. Anais... Salvador: ANPUR, 2005.
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Número de Trabalhos: 3 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Este trabalho tem por objetivo trazer uma reflexão crítica sobre as formas urbanas resultantes do processo de periferização das metrópoles brasileiras. Utiliza-se, aqui, a tipo-morfologia como instrumento de análise, mas também como um método de concepção. O campo de estudo se desloca, portanto, da previsão para a formalização. A problemática da forma da aglomeração metropolitana é complexa e se fixa em múltiplas relações sociais, espaciais e temporais. Em especial, a morfologia da periferia metropolitana é muito mais rica e controversa do que os tradicionais planos diretores e projetos funcionalistas (normativos e físico-territoriais) podem supor. A condição periférica que se generaliza pela dispersão territorial é uma condição de estado incompleto e de subordinação, atributo das zonas que são ex-cêntricas. Elas se caracterizam pela heterogeneidade e ilegibilidade de seus elementos espaciais. Os seus princípios estruturais são difíceis de detectar, os limites são vagos, e as transações invisíveis. Não há impressões duradouras. Tal condição periférica implica em segregação, marginalização e vulnerabilidade ambiental, mas com freqüência apresenta notável dinamismo, pois a ausência de uma normatização urbanística mais austera aliada à construção de novas identidades territoriais pode gerar espontaneidade e criatividade inesperadas. Do ponto de vista da intervenção urbanística, a periferia metropolitana se torna abstrusa pela dispersão, pela flutuação espacial e social que impedem a formulação de um projeto de cidade, tanto político como estético. Projeto coerente e, sobretudo, convincente. Esta problemática complexa impõe ao urbanista pelo menos uma questão de fundo: é possível conceber projetos urbanos capazes de resolver ou minimizar os efeitos negativos da dicotomia centro/periferia? A noção de "condensação territorial" se justifica na perspectiva de uma resposta a esta questão. Trata-se de fragmentos (ou se preferir de redes ou de escalas), cujas lógicas internas permitem estabelecer uma relação mais estreita entre as formas arquiteturais e o meio ambiente construído. Sua identificação corresponderia, assim, a um procedimento que se situa a meio caminho entre a análise e o projeto. Neste processo, nos deslocamos de uma compreensão da periferia como um conjunto de objetos e de atores dispersos, para um território de interações específicas, mais acessível à intervenção projetual.
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