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TAULOIS, C. J. de A. Hortos, hortas, cercas : os jardins do rio setecentista. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 1 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 1
Índice h: 1  
Co-autores: 1

Resumo

Este trabalho tem por objetivo caracterizar os jardins cariocas no século XVIII, período em que o Rio de Janeiro se impôs como cidade e as manifestações de arte e cultura nessa ganharam força. Na importante bibliografia que trata da história do Rio até o Setecentismo, os jardins não merecem a atenção dos estudiosos e muitas seriam as razões para que não fossem significativos. A cultura lusa e a ideologia mercantilista; a luta incessante para construir a colônia e a adversa natureza tropical; a insegurança e o terreno alagado da cidade não deixariam tempo, energia ou espaço para amenidades. Entretanto, as cartas topográficas da segunda parte desse século apresentam hortas assumindo, por vezes, a feição de jardins, em desenhos que denunciam esmero em sua concepção. U estudo é iniciado com o reconhecimento da herança do colonizador nesse tema, cultura sem expressão no paisagismo europeu mas responsável por difusão de plantas sem precedentes no ocidente, graças à sua inserção em cinco continentes. E se seus locais de produção e receio se confundiam -- hortos ou hortas, também cercas e sercas, por serem murados -, os cultivos brasileiros nasceriam pós-renascentistas pela presença constante de espécies exóticas vindas de todos os lados do mundo. As anotações deixadas por viajantes europeus que aqui aportaram, até o século XVIII, embora parcas, ganham importância ao informar o espírito e algumas das espécies que marcaram nossos cultivos primevos, e a transformação de nossa paisagem. As cartas do Rio setecentista - em especial, a de André Vaz Figueira, 1750, e a do Chanceler da Relação, 1791 - indicam, ainda que em representação esquemática, a localização e o aspecto desses plantios, e também certos desígnios que encerravam. E se produção e recreio também aqui se confundiam, a criação do Passeio Público, 1779-1785, constituiu um marco na difusão da arte dos jardins entre os cariocas, como pode ser visto na comparação das traças das chácaras apresentadas nessas cartas. Desenhos do início do século XIX, embora posteriores, colaboram para firmar as idéias.
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