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JUCÁ NETO, Clóvis Ramiro. De uma ocupação ganglionar a uma ocupação nuclear. Das fazendas às vila no Ceará do século XVIII. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 2 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Compreendemos a configuração territorial e a urbanística de Portugal no Brasil colônia, como uma das diferentes escalas de configuração das formas espaciais - síntese de determinações políticas. econômicas e culturais-ideológicas - no processo de adequação do espaço à lógica mercantilista portuguesa. Tanto a constituição do território como o processo de urbanização - inerente á política colonizadora - encontrou nas variantes de cada região, as características específicas do processo de adaptação do espaço colonial às exigências da metrópole. À partir de 1650, de acordo com política econômica de expansão territorial, os portugueses acentuaram os seus interesses sobre regiões ainda não ocupadas no Brasil. Entre eles estava o sertão nordestino. território cearense e os seus núcleos, que estavam direta ou indiretamente ligados à atividade da pecuária, passaram por este processo. Seguindo as boiadas, acompanhando os caminhos naturais, os primeiros colonizadores se estabeleceram nas margens dos rios e requereram as suas sesmarias. Uma primeira forma de ocupação do território, com um caráter de puro isolamento, ganglionar e rarefeito, teve como sede a fazenda de gado e a família corro principal unidade colonizadora. A conquista foi marcada pela adversidade climática, pela resistência indígena e pela debilidade administrativa portuguesa. Em torno das fazendas surgiram pequenos núcleos, sendo alguns elevados à condição de vila, de acordo com os interesses econômicos e políticos que despertavam na coroa. Um incipiente comércio entre as vilas, paulatinamente desfaz o caráter isolado dos núcleos, caracterizando uma segunda forma ocupação que denominaremos de nuclear e que dará origem à futura rede urbana cearense.no século XIX. Tanto no processo de ocupação ganglionar - com as fazendas - como o nuclear - com as vilas - os mais diversos agentes sociais agiram. Falamos daqueles diretamente associados ao processo de produção da pecuária - os donos das oficinas de charque, os comerciantes, os fazendeiros, os boiadeiros, a resistência silvícola -; como da igreja - tanto pelo caráter dos aldeamentos indígenas, disciplinando a mão de obra indígena, como agenciando o crescimento das vilas -, como da debilidade administrativa portuguesa e a formação de um poder local no Ceará do século XVIII.
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