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FREITAS, Maria Luiza de. Habitação e urbanismo na cidade de São Paulo : questões multidisciplinares presentes na jornada de habitação econômica de 1941. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 1 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 1
Índice h: 1  
Co-autores: 2

Resumo

A complexidade da questão habitacional, confrontada com a industrialização e o rápido crescimento de São Paulo é pensada através da relação entre diversas disciplinas. O significado de economia na construção de' habitação para o trabalhador vai mudando segundo as transformações dos saberes técnicos. A ação do sanitarismo em pró-moradia higiênica era determinada pela distribuição da luz, pelo abastecimento de água e eliminação das imundices, acompanhadas de discursos moralizantes dos médicos e higienistas. Neste momento, a questão econômica era definida pela localização dos sanitários, pelo tamanho do pé direito e na disposição de portas e janelas, sem fixar algum tipo de padrão de habitação. Quando essa ação passa a ser tratada como questão construtiva e projetual, são realizados estudos, por engenheiros e arquitetos, sobre a redução dos padrões técnicos de construção (tamanho dos pés direitos, espessura das paredes, etc), norteados pela idéia de racionalização que influência na padronização dos elementos construtivos e na distribuição do espaço interno da casa. Além dessas ações, é imprescindível a inserção da habitação operária no espaço urbano, para tal é considerável a influência do preço da terra que determina a localização, o tipo de apropriação (aluguel ou propriedade), a tipologia e a densidade habitacional (casas isoladas, vilas ou edifícios de apartamentos e loteamentos). Questão igualmente importante para a distribuição dos serviços urbanos (transporte, abastecimento de água e coleta de esgoto, etc.) e pela localização de equipamentos urbanos (escolas, creches e hospitais). Essa relação entre habitação e urbanismo, foi debatida, principalmente, a partir de meados da década de 30, quando se consolidaram instituições como o IDORT - Instituto de Organização Racional do Trabalho -, integrante de um sistema que agrupava diversas outras organizações de classe e de ensino pelo interesse na aumento da produtividade, na racionalização e na cooperação entre operários e patrão. Este promove, em 1941, a Jornada de Habitação Econômica, cujas palestras ministradas por profissionais de diversas áreas são tema desse artigo, que aborda a relação entre a habitação econômica e o urbanismo como questão multidisciplinar. Neste momento a moradia já não depende somente de ações sanitaristas, técnicas ou urbanas mas, do conjunto destas.
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