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FLEXOR, Maria Helena Ochi. Uma memória apagada : Abrantes / Bahia. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 3 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 1
Índice h: 1  
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Resumo

Situada na região Metropolitana de Salvador, Abrantes desempenhou papel primordial na história da Bahia, especialmente no século XVIII, quando Portugal desenvolveu um vasto programa de repovoamento e reurbanização do Brasil, provocado pelo Tratado de Madri, que principiou a definição dos limites de seu território. Dentro desse programa, foram previstas as criações de vilas e freguesias, prioritariamente nas antigas aldeias jesuíticas, ao longo do litoral, nas fronteiras interiores e ruas regiões estratégicas, como a Amazônica. A criação dessas vilas tinha várias finalidades, mas, especialmente visava a defesa e conquista do território, seguindo o principio do ut possedetis. No caso da Bahia, que teve anexadas ao seu território as antigas Capitanias de Ilhéus, Porto Seguro, Sergipe e parte do Espírito Santo, foram programadas as fundações das vilas de Olivença, Barcelos, Santarém, Soure, Pombal, Mirandela, Távora (mudada para Tomar do Gerú), Trancoso, Vila Viçosa, Portalegre, Alcobaça, Vila Verde, Almada, Nova Benavente, São Mateus, Nazaré, São Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande do Sul, Pambu, entre outras, além da instalação de habitantes em Belmonte e Prado, entre 1754 e 1772. Nova Abrantes (1758) que, por estar mais próxima de Salvador, foi a primeira vila a ser erecta na aldeia do Espírito Santo de Ipitanga. Foi instalado na Bahia o Tribunal do Conselho de Ultramar, para superintender a criação das vilas. Para tanto, além de pessoal habilitado para exercer essa função, os conselheiros exigiam a descrição minuciosa de cada região, mostrando o número e tipo de habitantes, idades, ocupações, vegetação, hidrografia, relevo, etc. etc. Não tendo pessoas suficientes para executar essa tarefa em regiões tão longínquas, ficou determinado que Abrantes servisse de modelo, não só para o traçado urbano, mas, ainda, para a instalação dos habitantes índios, manutenção dos brancos, administração, política econômica e social, construção de casas unifamiliares, etc., seguindo modelo espanhol. Abrantes permaneceu como um pequeno núcleo, limitado à sua antiga praça jesuítica, ou terreiro como era melhor denominada. A ocupação moderna se deu em torno dela. Conseguiu manter essa configuração do núcleo inicial por mais de duzentos e quarenta anos. Uma urbanização recente apagou essa memória.
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