Mais informações

Alves, Manoel Rodrigues. O domínio público e privado na construção da cidade contemporânea. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
Clique no nome do(s) autor(es) para ver o currículo Lattes:

Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 1 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: Nenhuma citação encontrada
Índice h: Indice h não calculado  
Co-autores: Nenhum co-autor encontrado

Resumo

A idéia universal de cidade como bem público, espaço por excelência do exercício da cidadania, lugar do convívio, do conflito e do congraçamento entre pessoas, núcleo de produção do conhecimento, vem cedendo espaço para uma outra idéia de urbanidade. Constata-se o deslocamento das atividades cívicas em direção aos espaços privados de caráter público, processo assimilado naturalmente pela sociedade, que tem como conseqüência a produção fragmentária do espaço urbano e a transformação da relação público / privado. Com o debate em arquitetura definido por mediações conceituais imprecisas, a produção da paisagem urbana encontra-se submetida à lógica do lucro e do consumo, decorrente de uma lógica do terciário que assume a responsabilidade do desenho da cidade, numa cidade da estetização e gentrificação. O espaço urbano contemporâneo tanto cria novas contigüidades, avizinhando o que é diverso, quanto explicita, e até - por meio de estratégias de mercado - cria paisagens materiais e políticas, econômicas e étnicas, que a rigor não se articulam umas às outras, mas se excluem. Pensar a cidade hoje demanda transformarmos uma estratégia comercial de agregação de valor cultural de áreas particulares em uma estratégia cultural de criação de estruturas auxiliares de maior significância cultural e social. A investigação da espacialidade da cidade contemporânea requer posturas distintas, sensíveis a especificidade da paisagem urbana, a novas questões de sua conformação e a uma nova realidade técnico social de uma sociedade fortemente midiatizada, que considerem a necessidade de superação da distinção clássica entre público e privado - uma vez que a mesma suprime a pluralidade social contemporânea e o universo legítimo de contestação dos espaços sociais. Para tanto, buscando contrapor-se a produção de não-lugares provisórios, sem concretude real e sem identidade, demanda um modelo pautado na noção de domínio, do público e do privado, que refute noções como urbanidade interior ou ágora eletrônica - simulacros de pseudo espaços públicos que almejam substituir o lugar urbano. Analisando-se proposições de Montaner, Augé e Bonomi, argumenta-se pela importância da memória coletiva para a constituição de territorial idades e domínios públicos de uma sociedade heterotópica e pela relevância atual da idéia e a necessidade 'heideggeriana' de `fazer espaço'.
-