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SILVA, Michel Vieira de Lima E. Reconhecendo símbolos na Cidade de Deus. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

De um conjunto habitacional, situado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, construído e ocupado nos anos sessenta, no âmbito da remoção de população residente em favelas, durante os governos Lacerda e Negrão de Lima, o bairro Cidade de Deus tornou-se emblema de violência para a mídia e a sociedade, sendo tal idéia difundida e reforçada pelo filme homônimo, de 2002, com quatro indicações ao Oscar 2004. Nestas circunstâncias, esta pesquisa procura desconstruir o caráter atribuído à Cidade de Deus de lugar/símbolo da violência. Ainda segundo essa perspectiva, almeja caracterizar suas origens toponímicas, devido à noção de lugar de paz, próxima ao divino, que seu próprio nome sugere reforçada na nomenclatura bíblica existente em diversos de seus logradouros - em confronto com a idéia de um espaço tido por insígnia do crime e do medo. Uma última etapa refere-se à desconstrução do conceito de deslugar, definido como ;. ma paisagem caracterizada pela monotonia das formas, como ocorre nos conjuntos habitacío11aís. Neste sentido, desconstruir o conceito de deslugar ë ressaltar que este pode assumir o caráter de: lugar para aqueles que moram ou freqüentam o conjunto habitacional rios domínios do bairro em destaque. Passada a fase da demolição da Cidade de Deus como espaço da violência e como deslugar abrem-se as cortinas para os símbolos cunhados no referido lugar. Os símbolos, vale ressaltar, são forjados de acordo com a faixa etária, com a imagem assimilada do seu exterior e no cotidiano dos moradores. Neste contexto, a película de repercussão internacional converteu-se -consoante resultados de entrevistas - em um símbolo repudiado por seus habitantes, tendo em vista que generalizou o banditismo e conferiu nome e endereço ao crime organizado: Cidade de Deus. Finalmente, convém frisar, a batida do funk e seus bailes, as "bocas-de-fumo" e a própria violência figuram como símbolos venerados ou rejeitados pela comunidade. Eles podem ser de protesto, de poder ou de dupla função, como evidenciam os templos religiosos que, além de representarem o sagrado, persistem como ícones de resistência, como que para afirmar que a Cidade "ainda" é de Deus.
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