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DRAGO, Niuxa Dias. O Rio de Janeiro da dramaturgia de Nelson Rodrigues. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Resumo

Teatro e cidade foram definitivamente atados no apogeu da cultura grega e, desde então, a teatralidade do palco e das ruas constroem-se em inter-relação. Na definição do sentido trágico clássico, os deuses representam elemento regulador das desmedidas humanas e a cidade traduz o mito para a platéia e reforça os preceitos morais, através do coro, Na tragédia moderna, quando deuses e preceitos morais não tem mais o mesmo sentido, a cidade é o elemento regulador, castrador, massificador. Agora, o indivíduo constrói seu heroísmo na luta contra o meio adverso á sua sensibilidade. Através deste conflito homem x cidade, constroem-se o modernismo, o expressionismo, e os movimentos vanguardistas do século XX. Na arte, antes das teorias políticas ou sociais, manifesta-se o paroxismo deste conflito. A dramaturgia rompe as barreiras espaciais do gabinete consagrado peio drama burguês ocidental e os personagens ganham o espaço urbano. A cidade deixa de ser simples cenário e transforma-se em personagem. Em 1953, Nelson Rodrigues, considerado o maior de nossos dramaturgos modernos, faz interagir os indivíduos e sua cidade, o Rio de Janeiro, revelando a humanidade através de táticas muito similares às que seriam mais tarde descritas por Michael de Certeau em "A Invenção do Cotidiano". O Rio que vemos nas peças de Nelson, significativamente batizadas de Tragédias Cariocas, merece análise profunda, não apenas por ser o Rio da Zona Norte (Aldeia Campista, Grajaú, Tijuca), tão esquecida nos registros dos artistas burgueses, mas porque é uma cidade com a força atuante de uma personagem. Cada espaço percorrido tem sua significação dilatada pelos conflitos interiores dos indivíduos envolvidos na trama, conflitos que são, em suma, reflexos deste conflito maior entre o homem e a cidade. O realismo de Nelson Rodrigues retrata um momento histórico de transição dolorosa, quando a velha cidade precisa adaptar-se á modernidade. Em nenhum outro lugar, essa transição se faz mais difícil que nos subúrbios da grande cidade.
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