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Silva, Regina Helena Alves da. Multiplicidades de sentidos do viver urbano. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 2 (Com arquivo PDF disponíveis: 1)
Citações: 7
Índice h: 2  
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Resumo

Este trabalho entende a rua como um lugar favorável à apreensão das diferentes maneiras pela qual os habitantes da cidade se apropriam de espaços de uso comum para diversos fins. Considerando que o significado da rua é dado pela multiplicidade de usos efetivos que dela se fazem, no nosso caso, essa apropriação pode ser vista a partir da festa, da manifestação de reivindicações políticas, do trabalho, etc. Foi tendo em vista esse significado que tomamos o nosso objeto, a rua, como um espaço privilegiado de resgate da experiência da diversidade, possibilitado a presença do forasteiro, o encontro entre desconhecidos, a troca entre diferentes, o reconhecimento do semelhante, a multiplicidade de usos e olhares. Este é o espaço que se opõe àquele do domínio privado da casa. Não se trata aqui da rua espaço destinado ao fluxo, mas a rua que se transforma em moradia, em itinerário de posição, em local de protesto, passeata e fruição em dia de festa. a rua vitrine, palco, lugar de trabalho e ponto de encontro. Não se trata da rua em sua materialidade, mas sim da experiência da rua, da rua viva em sua experiência. Nas ruas ocorrem inúmeros eventos. Nesse trabalho, alguns desses eventos são apresentados a partir da indicação de seus possíveis encadeamentos e relações, referenciando-os no tempo e no espaço. Tudo o que acontece nas ruas é imediatamente compreensível, ainda que nem sempre se apresente em uma seqüência de fatos lineares e transparentes. Muito do que se passa na rua foge à familiaridade. A rua se torna com freqüência, o lugar da novidade, do inesperado. Para isso, contribui o fato de ser a rua o lugar, por excelência, do outro. Estamos falando aqui do estranho - o outro na sua forma mais radical - e também do outro concebido como aquele com quem mantemos relações sociais. A rua é o lugar onde se dá o social também como espetáculo. Um espetáculo que permite assumir certas identidades, desempenhar determinados papéis e, até certo ponto, escolher os enredos dos quais se vai participar. É o palco por excelência do social. Os diferentes contextos (calçadas, esquinas, janelas, muros, etc.) podem ser recortados como palcos ou platéias. Quer dizer, o que se vê e de onde se vê.
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