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CASTRIOTA, Leonardo Barci Leonardo Barci. Nas encruzilhadas do desenvolvimento : a trajetória da preservação do patrimônio em Ouro Preto. Nas encruzilhadas do desenvolvimento : a trajetória da preservação do patrimônio em Ouro Preto. In Belo Horizonte,2003. p. 186-206, il
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Resumo

O poder de rememoração não é algo natural, mas sim uma conquista, uma invenção difícil, por meio da qual os homens aprendem a se apropriar progressivamente do seu passado individual e coletivo. A memória faculdade tão importante para a construção da cultura que ganha a forma de uma deusa entre os antigos gregos - vai ser também uma capacidade seletiva: para se lembrar é preciso esquecer. Este nos parece ser o mecanismo que rege as políticas de preservação do patrimônio, que, implementadas tradicionalmente pelos estados, visam à construção de uma identidade nacional. Também elas trabalham com a dialética lembrar-esquecer: para se criar uma memória nacional, privilegiam-se certos aspectos em detrimento de outros, iluminam-se certos momentos da história, enquanto outros permanecem na obscuridade. No que se refere às chamadas cidades históricas, estas são submetidas ao mesmo processo: muitas vezes, para se criar um símbolo nacional, apagam-se as marcas da história local, que foram se sedimentando ao longo dos anos. Este processo pode ser bem exemplificado, a nosso ver, pela trajetória das políticas de preservação em Ouro Preto, ao longo do século XX. Antiga capital das Minas Gerais e mais significativo centro urbano do ciclo do ouro (século XVIII), Ouro Preto é certamente o mais significativo conjunto da arquitetura colonial brasileira, tendo sido a primeira cidade no país a ser classificada como monumento nacional e patrimônio da humanidade pela UNESCO. Conservada quase intacta graças à estagnação econômica, a cidade vai ser objeto, desde a década de 30, de políticas de preservação que, se, por um lado, conseguiram manter o conjunto, por outro, criaram um objeto idealizado, desconsiderando a história local e afastando a população da cidade. Para mostrar essa trajetória, vamos acompanhar o destino de um dos seus espaços urbanos mais significativos, o Largo do Coimbra, configuração típica do urbanismo de origem portuguesa nas Américas.
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