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CORRÊA, Eliane Lins. Visões da história. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Resumo

A experiência humana se organiza, seja individual ou em grupo, espacialmente, e cada um de seus lugares tem uma distinção valorativa que marca não apenas a ocupação de territórios, mas também a relação dos homens entre si. As relações sociais e morais que os homens estabelecem entre si espacializam-se nos afastamentos, nas aproximações, na divisão em níveis, setores e esferas. Compreender esta espacialização é um dos requisitos para a inteligibilidade do mundo. Estudamos a história das cidades e da arquitetura para compreender como nós, os humanos, habitamos, desde tempos imemoriais, a terra, e como construímos os espaços para a nossa vida. Mas será que a nossa forma de habitar, em casas e cidades, tem evoluído e progredido? E o que significa exatamente esta concepção da história como progresso que tem prevalecido na historiografia da arquitetura e do urbanismo? Há até pouco anos, tínhamos uma idéia espacial do tempo: o tempo era como uma flecha que percorria o espaço e avançava sempre no sentido de um progresso geral da humanidade, em direção à plenitude da razão e da liberdade. Chegando a esse alvo, a história teria seu final, ou seja, o tão discutido "fim da história". Esta visão vem sendo, como sabemos, sistematicamente questionada, tendo como base outras visões filosóficas da história. Mas, podemos perguntar que influências podem ter tais visões filosóficas da história sobre a produção arquitetônica. É que o discurso do historiador e do crítico não se coloca a margem da produção arquitetônica, especialmente, desde o surgimento das vanguardas arquitetônicas do inicio do século XX. O discurso dos mais destacados historiadores e críticos desse período tinha como objetivo a demonstração dos novos valores contidos nas propostas e programas que fundamentavam o denominado "movimento moderno". Era um discurso arquitetônico que promovia e aspirava estabelecer um corpus teórico e doutrinal que fosse a base da atividade projetual. Esse discurso histórico e crítico - baseado em idéias e conceitos do pensamento filosófico - afirmava o caráter de necessidade da "nova arquitetura", e tinha como tarefa convencer e legitimar a novidade, a adequação, os avanços e o progresso dessa arquitetura ante uma cultura que a princípio era julgada como não preparada para compreendê-la. A arquitetura vem, assim, sendo influenciada pelas mais peregrinas correntes filosóficas. Mas os termos e conceitos utilizados no nosso discurso não são vazios, não sendo, portanto, inocente o seu uso. No campo de atuação da arquitetura e urbanismo, essa confusão pode ser mais grave, pois seus significados são a base não apenas do discurso mas também da prática, ou seja, da concepção do projeto de arquitetura e urbanismo, e, por conseguinte, da configuração e construção dos espaços da nossa existência. A experiência tem mostrado que o descaso pela discussão sobre os significados dos conceitos e dos termos que estruturam qualquer discurso vem, freqüentemente, acompanhado por uma confusão de idéias e juízos sobre o próprio objeto de estudo. A história da arquitetura e urbanismo (e aqui podemos incluir também a teoria e a crítica) pode ser entendida como um espaço privilegiado de análise e problematização de - idéias, interpretações, propostas, termos e conceitos - e também de articulação interna dessa área, digamos, disciplinar, que, no entanto, não pode se isolar do debate cultural geral nem ficar à margem das questões colocadas hoje pelo pensamento filosófico contemporâneo. No debate filosófico atual destacaríamos, as questões do significado, ou significados, da história, e, por conseguinte, da dimensão temporal da existência humana, como existência sóciopolítica e cultural; do siginificado das diferenças culturais e históricas; e das teorias do progresso, da evolução e da descontinuidade histórica. O que nos interessa aqui é um mapeamento, uma topografia, das diversas visões da história. Assim agrupamos essas visões: a história como passado; a história como tradição; a história como mundo histórico (ciclo, reino do acaso, progresso, ordem providencial, decadência, descontinuidade); a história como objeto da historiografia.
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