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SAMPAIO, Antonio Heliodório Lima. Arquitetura e cidade : o lugar de Lelé nesta relação. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Resumo

Retoma-se o conceito de "pseudo pós-moderno baiano" para, pôr contraposição, refletir sobre a contribuição da arquitetura de Lelé à cidade atual, contemporânea. O chamado pseudo pós-moderno baiano é considerado tão somente mais um desvio de traço modernista na paisagem urbana, pois sugere como "novo" velhos paradigmas Lecorbusianos - em fachadas-postiças ( falsas ), enganosas, sem densidade estética -, cujos argumentos foram postos em duas comunicações anteriores: "O pseudo pós-moderno baiano; lições de um desvio" ( V-SCHU, Rio, 1996 ) e depois em "Planejamento e forma-urbana: notícias do pseudo "pós-moderno" baiano" ( VII-ANPUR, Recife, 1997 ). Neste terceiro artigo, busca-se contrapor ao "mal-estar" do chamado pseudo pós-moderno baiano, o que parece essencial na contribuição de Lelé à cidade: continuidade de compromissos sociais históricos. Traços da chamada utopia moderna persistem na Bahia contemporânea, graças à obra de Lelé, na recusa ao sucesso fácil da forma-moda. Sua obra não decorre das leis de mercado, distanciando-se das motivações inerentes à "axé arquitecture". A persistência de princípios, valores e paradigmas dados como mortos e ultrapassados surpreende, tanto pela forma-configuração como pelo vínculo indissociável com programas, equipamentos e espaços saídos das necessidades sociais. De repente, na "cena contemporânea" da Collage City - ou cidade pós-modernista - volta-se a conviver com os paradigmas da Bauhaus de Gropius, em seus anseios: do design do objeto ao mobiliário urbano, de componentes dos edifícios aos da cidade. Contrapõe-se ao discurso vazio um outro tipo de concepção, mais denso e reflexivo que, sem descuidar da aparência estética, tem sua essência vincada na construtibilidade, no domínio tecnológico de uma produção "voltada para as massas", como se dizia antigamente. A crítica do pseudo pós-moderno e também do próprio moderno, acaba consolidando a idéia de que o reconhecimento de uma boa arquitetura não é uma questão de rótulo, mas de compromissos: social, econômico, e claro, estético-cultural. Uma lição maior talvez seja esta: inexiste razão para se abandonar a razão - tentando justificar o laissez-fair urbano - pois a boa arquitetura ainda se sustenta num sentimento fundado no compromisso ético-social, com arte e tecnologia, sempre. Esta a contribuição de Lelé à cidade.
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