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PÁSSARO, Laís Bronstein. Derivações urbanas da crítica ao movimento moderno. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Resumo

A cidade como artefato é uma expressão que condensa uma gama de discursos relacionados ao debate sobre a arquitetura e as cidades introduzido nos anos 60 nos cenários europeu e norte-americano. As posturas aí surgidas uniam-se pela idéia de reconciliação da arquitetura com a cidade, no que Anthony Vidler identificou como "terceira tipologia". Isto significava que os mecanismos históricos de análise urbana dos chamados neo-racionalistas, juntamente com o formalismo analítico consagrado pela Escola de Cornell iriam ser peças principais das intervenções urbanas movidas pela crítica ao Movimento Moderno. Como em outras áreas da cultura e do pensamento, a arquitetura e as cidades passavam por um momento em que qualquer tentativa de síntese unitária se mostrava ultrapassada. O fim das metanarrativas anunciado por Jean-François Lyotard se plasmou na problemática urbana pela coexistência de diversas posturas e exaltação do caráter fragmentário sob o qual a cidade deveria ser tratada. Tipologia e morfologia urbana, aliadas a reivindicação de uma autonomia disciplinar constituiam a base para a intervenção na cidade existente a partir destes anos. A primeira experiência urbana baseada nesta crítica ao Movimento Moderno foi a IBA - Internationale Bauausstellung - ocorrida em Berlim oeste nos anos 80. Através da análise dos discursos que permearam seu processo de organização podemos traçar um quadro de suas atitudes e práticas mais cristalizadas, identificando os pontos de inflexão que estas promoveram em relação a tradição da arquitetura e do urbanismo modernos. A IBA vista mais além de seus resultados construídos nos fornece as chaves para compreender o alcance de tamanho debate, e a clara influência que este exerceu em intervenções posteriores como a Barcelona Olímpica e o Rio Cidade. Ou seja, o que parece novo na realidade não o é. Os programas de revitalização de áreas centrais degradadas, de recuperação de centros históricos e de incentivo a intervenções pontuais são gestos contemporâneos de cidades brasileiras que mostram-se devedores de discursos semeados há quarenta anos. Estudar tais discursos parece ser um compromisso inadiável para o entendimento de questões concernentes a nossa própria realidade.
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