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ARASAWA, Claudio Hiro. Entre o passado e o futuro : engenheiros, arquitetos e urbanistas em São Paulo (1870-1930). In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Resumo

Partindo-se de uma antiga polêmica referente ao estatuto das idéias importadas no Brasil - refiro-me à contraposição entre as "idéias fora do lugar" de Roberto Schwarz e as "idéias estão no lugar" de Maria Sylvia Carvalho Franco - objetiva-se refletir sobre o sentido das práticas de agentes cuja importância no processo de modernização a que se assiste na cidade de São Paulo, entre as décadas de 1870 e 1930, parece ser mais reconhecida do que analisada: trata-se daqueles engenheiros, arquitetos e urbanistas que irão constituir a camada de técnicos responsáveis tanto pela implantação de infra-estruturas quanto pelas reformas urbanísticas da capital paulista. A importação de idéias e práticas parece ter sido crucial para a mobilização de autoridade e legitimidade levada a cabo pelos agentes que se pretende descrever. Entretanto, no momento em que eles apreendem "esquemas mentais" produzidos em outros contextos - técnicas, mas também todo esse acervo fundamental que compõe as ideologias profissionais, as formas encontradas para fazer ver e fazer reconhecer uma competência, passo fundamental para que se legitimasse um desejo de autonomia -, seriam levados automaticamente e sem se darem conta disso, a complexos ajustamentos entre tais "esquemas" - freqüentemente utilizados como garantias de imparcialidade de uma ciência neutra - e as estruturas sobre as quais esperavam agir. Por outro lado, em uma sociedade em processo acelerado de transformações, impactada pelos estímulos econômicos e culturais decorrentes da segunda revolução industrial, os engenheiros podiam se municiar de uma abundante fonte de reconhecimento: a engenharia passava a representar o futuro possível e desejável. Ela seria uma sinalizadora do futuro, uma mediação entre um 'passado' - materializado tanto nas estruturas materiais, quanto nas mentais que caracterizavam o país - e um futuro, a Europa e seu prolongamento americano: os EUA. Sentindo-se a si mesmos situados no interstício entre um passado a ser negado e um futuro a ser construído, os engenheiros jogariam continuamente com esses pólos, ajustando-se tanto ao que parecia sobreviver como um resíduo persistente, quanto ao que ainda não era de todo e que, por isso mesmo, era percebido como incompleto.
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